Operação Dédalo da PF mira aviões sinistrados

Operação Dédalo da PF mira aviões sinistrados

70 agentes federais e fiscais da ANAC participam das ações em Santa Catarina, São Paulo e Paraná; a investigação identificou reparos além do permitido pelas fabricantes, falhas nos controles das aeronaves e documentos falsificados

Pepita Ortega

10 de abril de 2019 | 11h31

Segundo a PF, as aeronaves ‘não têm condições de aeronavegabilidade por conta de irregularidades documentais e estruturais, colocando em risco a aviação civil’. Foto: Reprodução / PF

A Polícia Federal e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deflagraram na manhã desta quarta-feira, 10, a Operação Dédalo, que apura supostas irregularidades na aquisição, manutenção e documentação de aeronaves sinistradas, em Santa Catarina, São Paulo e Paraná.

Cerca de 50 policiais federais e 20 fiscais da Anac participam da ação cumprindo 10 mandados de busca e apreensão – três em Joinville, um em Rio do Sul, dois em Curitiba, além de quatro em municípios paulistas, sendo três em Sorocaba e um em Birigui.

Oficinas, residências, empresas e aeronaves são alvos das buscas. De acordo com a PF, os veículos aéreos ‘não têm condições de aeronavegabilidade por conta de irregularidades documentais e estruturais, colocando em risco a aviação civil’.

Com base em exames periciais e contatos com fabricantes e autoridades americanas, a investigação identificou indícios de compra de aeronaves sinistradas, que eram reparadas além dos limites permitidos pelo fabricante.

A PF também apurou que o esquema utilizava registros supostamente fraudulentos, aproveitando documentações que seriam utilizadas em outros veículos aéreos.

Também foram detectadas falhas nos controles das aeronaves, colocando em risco a aviação civil, e fraudes fiscais nos processos de importação de aeronaves.

Segundo a PF, ficou evidenciada ainda a falsificação de documentos. As empresas responsáveis pela restauração não prestavam informações à ANAC, com o objetivo de dificultar a fiscalização do órgão.

As investigações tiveram início em 2016, a partir de denúncias de irregularidades na manutenção de aeronaves e reportagens que vinculavam as falhas à queda de helicópteros.

Após a instauração do inquérito policial, a PF, em conjunto com a Anac, procedeu à inspeção na empresa investigada, em que foram apreendidos documentos, peças e aeronaves.

Os investigados responderão pelos crimes de perigo à aviação, falsificação de documentos, falsidade ideológica e sonegação fiscal. As penas de cada um dos delitos variam de uma seis anos de reclusão.

DÉDALO

O nome da operação, Dédalo, tem inspiração em um personagem da mitologia grega, conhecido como sábio e criativo.

Pai de Ícaro, ele fabricou asas de penas ligadas com cera para que ele e o filho pudessem voar, escapando do lugar onde estavam presos.

Na fuga, Ícaro se aproximou muito do sol, a cera de suas asas derreteu e ele caiu no mar. A história remete ao fato de que o uso de peças não adequadas em aeronaves pode provocar acidentes aéreos.

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