Operação Decantação investiga ‘Loverboy’, Elvis Presley e parque ecológico em nova fase

Operação Decantação investiga ‘Loverboy’, Elvis Presley e parque ecológico em nova fase

Missão deflagrada nesta quinta-feira, 4, mira fraudes em licitações da Companhia Saneamento de Goiás (Saneago) e desvios também em construção na cidade de Inhumas, no interior do Estado

Julia Affonso

04 de abril de 2019 | 13h52

A terceira fase da Operação Decantação, deflagrada nesta quinta-feira, 4, mira um grupo de empresas de fachada que teriam fraudado licitações da Companhia Saneamento de Goiás (Saneago) e também da construção de um parque ecológico na cidade de Inhumas, interior do Estado. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigam o empresário Eduardo Henrique de Deus, o ‘Loverboy’, – alvo de mandado de prisão temporária.

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Na sede de uma delas, a Red Comércio e Serviços de Eletrificação, os investigadores da Operação Decantação acharam, em uma fase anterior, ‘indícios contundentes de montagem de licitação e fraude praticados por Eduardo Henrique de Deus’ em municípios goianos. No local, foram encontrados propostas de preços, procurações, declarações, documentos de habilitação e orçamentos de licitações e 21 carimbos de 14 empresas.

“A existência de tantos carimbos e documentos de outras empresas sugere a existência de um grupo de empresas, dentre elas empresas fantasmas, coligadas para assegurar a assinatura de contratos de prestação de serviços à Administração Pública, fornecendo documentos e orçamentos para a montagem de processos de contratação”, afirmou o juiz Rafael Ângelo Slomp, da 11.ª Vara Federal de Goiânia, que autorizou a deflagração da nova etapa da operação.

A Decantação apura os crimes de corrupção ativa e corrupção passiva, peculato, fraude a licitação e lavagem de dinheiro. Na segunda etapa da Operação Decantação, o alvo maior foi o ex-governador de Goiás José Eliton (PSDB). No dia 28 de março, a PF fez buscas em endereços do tucano.

Além de ‘Loverboy’, a nova etapa mira o pregoeiro Elvis Presley Mendanha, o engenheiro José Vicente da Silva Júnior, membro da Comissão de Licitações da Saneago, que teria recebido pelo menos R$ 3 milhões em propinas para favorecer empresas do esquema instalado na Companhia de Saneamento de Goiás.

Elvis Presley era o pregoeiro da Saneago e integrava a Comissão de Licitações.

Na decisão que abriu a terceira fase da Decantação, o juiz apontou indícios sobre supostas fraudes cometida por José Vicente e Elvis Presley no contrato de R$ 1,5 milhão para construção do parque ecológico de Inhumas.

Segundo o magistrado, diálogos telefônicos interceptados e conversas de WhatsApp apontam que a empresa Essa Engenharia ‘apresentou balanço financeiro vencido, o que deveria ter sido razão para a sua inabilitação do certame’.

“No entanto, ao final do julgamento das propostas, somente a referida empresa foi habilitada e julgada vencedora. O fato de a empresa Essa Engenharia ter sido declarada vencedora, mesmo sem apresentar a documentação necessária para habilitação no certame, constitui indício de que também os integrantes da comissão permanente de licitação do município de Inhumas-GO teriam participado da fraude”, relatou o magistrado.

COM A PALAVRA, A SANEAGO

“Em relação à 3.ª fase da Operação Decantação, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira, com o objetivo de investigar suspeitas de fraudes em licitações entre os anos de 2012 e 2018, a Saneago destaca que a Companhia tem priorizado a implantação das melhores práticas de governança e compliance, para garantir a lisura em todos os processos da Companhia, incluindo a realização de auditoria especial em um conjunto de processos relacionados ao período investigado, ação que se estenderá a todo e qualquer procedimento que aponte indícios de irregularidade.

A Companhia repudia quaisquer práticas de associação criminosa, peculato, corrupção passiva, corrupção ativa e/ou fraudes em processos licitatórios e informa que a atual gestão tem adotado as melhores práticas de governança e combate à corrupção.

A Saneago ressalta ainda que permanece prestando toda a colaboração necessária às investigações e se coloca inteiramente à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos que venham a surgir.”

COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE INHUMAS

A reportagem tentou contato com a Prefeitura de Inhumas por telefone e por e-mail. O espaço está aberto para manifestação.

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