Operação Carbono 14 atinge indiretamente Lula

Operação Carbono 14 atinge indiretamente Lula

Operação de empréstimo de R$ 12 milhões com Banco Schahin é considerada suposta compra do silêncio de empresário Ronan Maria Pinto, que ameaçaria revelar esquemas de corrupção e recebeu R$ 6 milhões; amigo do ex-presidente José Carlos Bumlai, apontado em delação de ex-líder do governo no Senado como 'resolver de problemas', cuidou do repasse

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Andreza Matais

01 de abril de 2016 | 11h51

Foto apreendida pela Lava Jato nos endereços de José Carlos Bumlai / Reprodução

Foto apreendida pela Lava Jato nos endereços de José Carlos Bumlai / Reprodução

A 27ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta-feira, 1, atinge indiretamente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Preso temporariamente como alvos centrais da Operação Carbono 14, o empresário Ronan Maria Pinto e o ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira são peças centrais de uma suposta “operação abafa” iniciada em 2004, segundo suspeitas de investigadores. O objetivo seria evitar a divulgação de escândalos de corrupção envolvendo o partido.

Em seu termo de delação premiada 7, o ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral (ex-PT/MS) declarou que “o empréstimo tomado por José Carlos Bumlai junto ao banco Schahin, no valor de R$ 12 milhões, foi destinado ao pagamento de chantagens efetuadas por empresário de nome Ronan contra a cúpula do PT, a partir do Município de Santo André/SP”.

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“Durante as investigações da Operação Lava Jato, constatou-se que Jose Carlos Bumlai contraiu um empréstimo fraudulento junto ao Banco Schahin em outubro de 2004 no montante de R$ 12 milhões. O mútuo, na realidade, tinha por finalidade a “quitação” de dívidas do Partido dos Trabalhadores (PT) e foi pago por intermédio da contratação fraudulenta da Schahin como operadora do navio-sonda Vitória 10.000, pela Petrobras, em 2009, ao custo de US$ 1,6 bilhão. Esses fatos já haviam sido objeto de acusação formal, sendo agora foco de uma nova frente investigatória”, informa o Ministério Público Federal.

TRECHO DELAÇÃO DELCIDIO

A operação foi realizada pelo pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente Lula preso desde novembro do ano passado, com ajuda do Grupo Bertin. Em depoimento, ele admitiu que realizou o falso empréstimo para atender pedido do PT e citou o nome de Silvio Pereira. Dos R$ 12 milhões, R$ 6 milhões foram para Ronan, que comprou o jornal Diário do Grande ABC.

Segundo Delcídio, Bumlai “se colocou à disposição quando quando Lula assumiu a Presidência da República, tendo passado a solucionar problemas os mais variados”. 

“Para fazer os recursos chegarem ao destinatário final, foi arquitetado um esquema de lavagem de capitais, envolvendo Ronan, pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores e terceiros envolvidos na operacionalização da lavagem do dinheiro proveniente do crime contra o sistema financeiro nacional”, informa a Lava Jato.

DELAÇÃO DELCIO BUMLAI PROBLEMAS LULA

Segundo os procuradores, “há evidências de que este empresário carioca realizou transferências diretas para a Expresso Nova Santo André, empresa de ônibus controlada por Ronan Maria Pinto, além de outras pessoas físicas e jurídicas indicadas pelo empresário para recebimento de valores. Dentre as pessoas indicadas para recebimento dos valores por Ronan, estava o então acionista controlador do Jornal Diário do Grande ABC, que recebeu R$ 210.000 em 9/11/2004.”

“Na época, o controle acionário do periódico estava sendo vendido a Ronan Maria Pinto em parcelas de R$ 210.000. Suspeita-se que uma parte das ações foi adquirida com o dinheiro proveniente do Banco Schahin. Uma das estratégias usadas para conferir aparência legítima às transferências espúrias dos valores foi a realização de um contrato de mútuo simulado, o qual havia sido apreendido em fase anterior da Operação Lava Jato.”

O suposto envolvimento de Lula em outras operações de compra de silêncio foram citadas na Lava Jato. Uma delas envolvendo o repasse de quase R$ 6 milhões via Youssef para uma agência de publicidade, a Muranno Brasil Marketing, que em 2010 estaria ameaçando revelar a corrupção na Petrobrás.

O ex-presidente Lula nega, por meio de assessoria, envolvimento em ilíticos.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE SILVIO PEREIRA

A defesa não vai se manifestar, pois não tomou conhecimento do caso.

COM A PALAVRA, RONAN MARIA PINTO

Nota – Esclarecimentos – Ronan Maria Pinto

Sobre a Fase da Operação Lava Jato
Nota Ronan Maria Pinto
Há meses reafirmamos que o empresário Ronan Maria Pinto sempre esteve à disposição das autoridades de forma a esclarecer com total tranquilidade e isenção as dúvidas e as investigações do âmbito da Operação Lava Jato, assim como a citação indevida de seu nome. Inclusive ampla e abertamente oferecendo-se de forma espontânea para prestar as informações que necessitassem.

Mais uma vez o empresário reafirmará não ter relação com os fatos mencionados e estar sendo vítima de uma situação que com certeza agora poderá ser esclarecida de uma vez por todas.

Solicitamos à imprensa atenção a essa nota e mais seriedade e sobriedade na apresentação do empresário, assim como nas informações e afirmações que vêm sendo feitas e divulgadas. Todas as denúncias que o envolveram ao longo dos anos foram ou estão sendo investigadas e Ronan Maria Pinto vem sendo defendido e absolvido. A mais recente, uma sentença de primeira instância, onde houve condenação, encontra-se em grau de recurso.

Essas são as informações.

Aguardamos mais detalhes sobre a totalidade da Operação.
Cordialmente,

Assessoria de Imprensa

Atenciosamente,

 

 

 

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