Advogado da Mendes Junior nega que empresa tenha pago propina

Advogado da Mendes Junior nega que empresa tenha pago propina

Criminalista Marcelo Leonardo afirmou que, inicialmente, a prisão e a condução coercitiva de ex-diretores da empresa causou 'estranheza', pois a empreiteira negocia um acordo de delação premiada

Leonardo Augusto, especial para O Estado, de Belo Horizonte

22 de setembro de 2016 | 10h00

diretormendesjunior

Victorio Duque deixa sede da PF em Belo Horizonte CRÉDITOS: Leonardo Augusto

O advogado da Mendes Júnior, Marcelo Leonardo, negou hoje, 22, que a empreiteira tenha tenha pago propina a políticos, conforme apontam as investigações da Polícia Federal na 34ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nessa manhã, como prosseguimento das apurações sobre contratos fechados entre construtoras e a Petrobrás para montagem de plataformas flutuantes de exploração de petróleo no pré-sal.

“Pagamentos à classe política não é assunto da Mendes Júnior”, afirmou o advogado.

Um ex-diretor da empreiteira, Ruben Maciel Costa Val, que era responsável pela área de petróleo e gás da empresa, foi preso hoje em sua casa, no município de Nova Lima, na Grande Belo Horizonte. O ex-diretor foi encaminhado para a sede da PF em Belo Horizonte e será levado ainda hoje para Curitiba. Os agentes também cumpriram mandado de busca e apreensão em sua residência.

Outro ex-diretor da Mendes Júnior, Victório Duque Semionato, responsável pela área de engenharia da empreiteira, foi conduzido coercitivamente, prestou depoimento por cerca de duas horas na sede da PF e foi liberado. Os dois trabalhavam na empresa à época da assinatura dos contratos com a Petrobras. Em março de 2016, a empreiteira entrou em processo de recuperação judicial por dívidas. Conforme Marcelo Leonardo, os contratos seguem em execução.

O mandado contra Duque foi cumprido em Rio Acima, também na Grande Belo Horizonte. No local foi cumprido, assim como no caso de Costa Val, mandado de busca e apreensão. Outro executivo da empresa, Sérgio Mendes, já foi condenado, em novembro do ano passado, a 19 anos de prisão e recorre em liberdade.

Marcelo Leonardo afirmou que, inicialmente, a prisão e a condução coercitiva de ex-diretores causou “estranheza” à Mendes Júnior, pelo fato de a empreiteira estar “negociando acordo de leniência e colaboração com o Ministério Público Federal (MPF)”. “Não vamos comentar sobre o conteúdo da operação em virtude de compromisso de confidencialidade. Temos confiança que o acordo ainda será fechado”, afirmou.

O advogado também negou qualquer relação entre a Mendes Júnior e a OGX, de Eike Batista, também investigada pela PF. Marcelo Leonardo afirmou ainda que um outro ex-diretor da Mendes, que identificou apenas como Luiz Cláudio, foi preso no Rio de Janeiro e será levado para Curitiba.

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