Open Source: um modelo em expansão

Thiago Araki*

21 de janeiro de 2021 | 03h00

Há alguns anos, o open source ainda se restringia a uma pequena parcela do mercado, com poucas organizações considerando a tecnologia em suas estratégias. O tempo passou e hoje o código aberto é visto como ferramenta fundamental para a infraestrutura empresarial das companhias ao redor do mundo. O modelo – aberto e colaborativo – está se transformando no padrão. Pesquisa realizada pela Red Hat, líder no fornecimento de soluções abertas, apontou que 95% das corporações consideram o open source essencial. Especialmente na América Latina, os executivos esperam um aumento no uso dessas tecnologias, com 85% deles afirmando desejar ampliar o uso do open source nas empresas para as quais trabalham.

Uma das características principais do open source é que ele não surgiu dentro de uma organização específica. O modelo de desenvolvimento surgiu a partir das comunidades globais do Linux, no início dos anos 90, quando alguns desenvolvedores visionários entenderam o potencial que o código aberto poderia oferecer ao mundo empresarial. A partir daí começaram a surgir expoentes especializados nessa tecnologia. Aos poucos essas companhias conquistaram seu espaço, se consolidaram no mercado e provaram para as gigantes de tecnologia a importância do código aberto, o que levou muitas corporações de software proprietário a repensar suas estratégias e adotar o open source.

Microsoft, Dell, IBM e tantas outras passaram a enxergar o código aberto como um aliado para o desenvolvimento de soluções mais eficazes e assertivas, capazes de acompanhar a acelerada transformação digital atendendo às necessidades do mercado. O open source passou a ser não apenas um modo de criar tecnologia, mas também uma forma aberta de trabalho, que prioriza a gestão aberta, a transparência, a inclusão e uma visão mais colaborativa. Sob esse novo prisma, enfrentamos importantes mudanças de paradigmas e, pessoalmente, estou certo de que o cenário global não seria o mesmo sem a relevância que o mundo do open source adquiriu.

Auxiliando a retomada

A importância do código aberto para o mercado e para a sociedade em geral ficou bastante clara durante a pandemia. Com o isolamento social e o trabalho remoto, foi necessária uma adaptação rápida, com adesão de processos automatizados e expansão da nuvem. As soluções open source ajudaram a manter os negócios rodando e vão seguir como fundamentais para a retomada em 2021, já que ainda há previsões de um panorama desafiador.

De acordo com as últimas estimativas do FMI, a América Latina será a região com a maior recessão causada pela pandemia. A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) prevê uma contração de -7,7% do PIB da região em 2020, mas uma taxa de crescimento positiva de 3,7% em 2021, devido principalmente a um arraste estatístico que, no entanto, não será suficiente para recuperar os níveis de atividade econômica pré-pandemia.

Neste contexto, muitas organizações estão fazendo grandes esforços para manter a produtividade e garantir a continuidade operacional de seus sistemas, ao mesmo tempo em que reduzem custos e buscam a maior eficiência possível para seus orçamentos de TI. Frente a esse cenário, todo o ecossistema open source está à disposição, preparado para promover a transformação digital das empresas com uma abordagem totalmente disruptiva que reúne tecnologia, processos e inovação cultural.

Esta visão aberta do open source, que se converteu na visão da indústria, nos impulsiona com boas perspectivas para o futuro, mas temos que seguir inovando e expandindo nossos esforços. Um ambiente global dinâmico exige uma dedicação permanente para acompanhar, ao longo de todo caminho, todas as correções de rota e mudanças necessárias, rumo à inovação.

*Thiago Araki é manager, Latin America Office of Technology na Red Hat

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