‘Open Banking’, uma proposta para o Brasil

‘Open Banking’, uma proposta para o Brasil

Rafael Pereira*

13 de abril de 2019 | 04h00

Rafael Pereira. FOTO: DIVULGAÇÃO

O sistema financeiro brasileiro precisa mudar. E na visão da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD), fundada em 2016 com o objetivo de estimular o mercado de crédito e a concorrência no setor, a regulamentação do Open Banking, que vem sendo discutida pelo Banco Central, é uma proposta fundamental para enfrentar a concentração, estimular a competição e baixar os juros reais.

Nesse sentido, a ABCD vem dialogando com todos os setores interessados, e com o próprio governo, com o objetivo de definir um modelo de Open Banking adequado ao mercado brasileiro, que seja simples, eficiente, seguro, tenha custos baixos e funcione em tempo real.

Mas o que é o Open Banking? É uma forma diferente de utilizar serviços financeiros. A ideia central é que os dados bancários pertencem aos clientes, e não aos bancos, e assim podem ser compartilhados com outras empresas, como as fintechs, sem comprometer a privacidade e a segurança dos cidadãos.

Por exemplo, o correntista pode manter sua conta no banco do qual já é cliente, mas optar pelo cartão de crédito de outra instituição, ou buscar financiamento junto a quem oferecer as melhores taxas, ou ainda usar os serviços de um terceiro para análise de sua movimentação financeira e auxílio na programação das datas de compras, pagamentos ou aplicações.

É como se o mercado financeiro fosse um supermercado onde as pessoas têm a liberdade de escolher nas prateleiras os produtos da marca, preço e qualidade de sua preferência. Mais competição equivale a mais eficiência, maior variedade de produtos e melhor experiência do consumidor – que não precisa cumprir trâmites burocráticos como apresentar documentos com firma reconhecida, provar sua capacidade de pagamento ou sua idoneidade para trabalhar com diversas empresas de produtos financeiros. Com o Open Banking, as operações são processadas junto a diversas instituições ao mesmo tempo, simplesmente por meio de aplicativos instalados no smartphone.

A ABCD acredita que o Open Banking é benéfico para os consumidores e empresas, porque estes provavelmente poderão usufruir de substancial redução das taxas de juros, ter acesso a maior limite de crédito, ampla variedade de competidores e produtos financeiros, maior agilidade e menor custo nas operações financeiras. E também é benéfico para a economia e o país, porque um mercado de crédito forte é um dos pilares do desenvolvimento econômico.

O Open Banking já é realidade na União Europeia, na Inglaterra e no Canadá. E está em fase de regulamentação em diversos outros países, como Austrália, México e Singapura. E aqui no Brasil a ABCD está engajada para que a iniciativa também se torne realidade!

* Rafael Pereira é presidente da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD)

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