Onde faremos a diferença

Onde faremos a diferença

Janaína Araújo*

10 de junho de 2020 | 11h20

Janaína Araújo. FOTO: DIVULGAÇÃO

A quarentena chegou ao Brasil de forma tão rápida que, por mais que os países do primeiro mundo já estivessem inseridos na realidade de uma pandemia, não achávamos que seria assim, abrupta, cruel, colocando em riscos vidas humanas e levando a banca rota muitos setores da economia.

Na luta pela sobrevivência alguns segmentos estão se reinventando. Lojas de shoppings investido no drive thru; restaurantes com delivery; quem decorava festas com rosas, passou a desenvolver arranjos florais para datas comemorativas, como Dia das Mães, Namorados e Aniversários.

Contudo, outras importantes atividades que movimentam a economia, geram empregos e rendas, foram impactadas de tal maneira cujos e pés e mãos foram atados, imobilizados e engessados. O mais grave de todos nesse cenário é sem dúvida o Turismo, setor responsável por 8,1% do PIB Nacional.

A crise do coronavírus gerou até agora um prejuízo de R$ 3,9 bilhões para as operadoras de turismo no país, segundo a Braztoa, associação que reúne as empresas responsáveis por 90% das viagens organizadas de lazer. Em março, 45% das operadoras não realizaram nenhuma venda. Outras 45% tiveram, no máximo, um décimo do volume comercializado no mesmo mês do ano passado.

Por mais que os números atuais sejam catastróficos o mercado de viagens após a pandemia – porque ela vai acabar- estará muito mais fortalecido, principalmente pelas transformações que cada indivíduo está passando em seu isolamento.

Saudades de parentes e amigos distantes, de paisagens que marcaram momentos da vida ou aquela viagem tão prometida com certeza será alcançada em período quando tudo isso passar. Dados levantados pela Mapie Consultoria mostra que a região Nordeste está na mente dos consumidores como destino mais desejado quando a pandemia de coronavírus acabar. Em seguida estão as praias regionais de São Paulo, a Serra Gaúcha e o Rio de Janeiro.

O historiador Yuval Harari, considerado um dos maiores pensadores da atualidade, em suas publicações antes da pandemia dizia que os algoritmos determinariam as nossas escolhas, nossos hábitos de consumo, nossas profissões, entre outras coisas mais. Claro que ele está certo. Prova disso basta procurar por um eletrodoméstico, uma pousada ou pesquisar o valor de uma passagem aérea para depois, em todos os sites ou mídias sociais que a pessoa entra o que foi buscado ficar pipocando na sua tela o tempo todo. Ultimamente desconfia-se que a inteligência artificial esteja lendo até pensamentos.

E é justamente nesta crise que o agente de turismo tem a oportunidade de mostrar o seu diferencial. A tecnologia não é a inimiga é a aliada para quem se empenhar em estudos para oferecer o melhor ao seu cliente que se sente perdido com tantas ofertas, com a invasão da sua privacidade, carentes e ávidos pela sua liberdade de volta.

O agente de viagem é a ponta de uma cadeia produtiva de alto impacto econômico. Em anuário publicado em março de 2019, a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Bratzoa) divulgou que, em 2018, o faturamento das empresas associadas chegou a R$ 13,1 bilhões, um crescimento de 7,4% em relação ao período anterior. A associação afirma que os números reforçam a capacidade do segmento em induzir o desenvolvimento do país.

A mesma entidade publicou este mês uma pesquisa que revela que 70% dos brasileiros têm intenção de viajar ainda este ano. Dos 60% dos viajantes que tiveram seus planos alterados, 56% adiaram e 36% cancelaram suas viagens. Para 2021, os planos de viagens aumentam (82%), uma vez que 67% dos entrevistados acreditam que a pandemia vai durar até seis meses. Dos 23,3% dos entrevistados que fizeram alterações, 51% adiaram e 12% cancelaram.

A importância do agente de viagem é tanta que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, emitiu parecer histórico, via Nota Técnica 24/2020, estabelecendo regras mais claras em cima das determinações da MP 948 (a MP do Consumo, de 8 de abril). Nela o reconhecimento aos profissionais os desoneram de ter de arcar com total de custos em caso de desistência ou cancelamento de viagens. É uma grande vitória para a categoria.

Entramos em uma era complexa, na qual criatividade, inteligência emocional, empatia, colaboração farão total diferença. Ofereçam para os seus clientes o intangível, estudem cada detalhe, gostos, interesses. Saibam tudo sobre a cidade que ele deseja conhecer. Mais do que formatar um pacote de viagens com equações perfeitas do ponto de vista econômico. O agente de turismo agora tem de ser um alfaiate de sonhos, tudo sob medida.

Crie vínculos afetivos com o seu cliente que jamais serão esquecidos. Crie vínculos afetivos com os lugares em que vocês se especializaram. Por fim quero dizer que existe sim uma grande oportunidade em tudo isso e que a partir de agora só depende de você dar o start na sua carreira.

*Janaína Araújo é empresária do setor de turismo e diretora-presidente da Lékè Representação,  responsável pelo Desert Summit Brazil 2021 e representante no país da Ilha de Curaçao

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