Omertà leva operador do PMDB para depor

Omertà leva operador do PMDB para depor

Nome de Milton Lyra foi ligado a repasse do setor de propinas da Odebrecht

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

26 de setembro de 2016 | 13h20

Milton Lyra. Foto: Reprodução

Milton Lyra. Foto: Reprodução

A Operação Omertà, 35ª fase da Lava Jato, conduziu coercitivamente nesta segunda-feira, 26, o lobista Milton Lyra, apontado como operador de propinas do PMDB e lobista com livre trânsito nos gabinetes de senadores da agremiação. Lyra foi alvo também de busca e apreensão pela Polícia Federal.

A Omertà prendeu o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil/Governos Lula e Dilma), homem forte do PT.

Lyra já foi alvo de buscas na Operação Sépsis, que prendeu o lobista Lúcio Funaro, principal aliado do deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB/RJ).

A investigação da Omertà identificou duas entregas de dinheiro a Luiz Gustavo Machado, em São Paulo.

O primeiro repasse, segundo a Procuradoria da República, teria como origem as obras do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), da Petrobrás.

“Na segunda anotação de entrega, além do registro de que os valores seriam entregues a Luiz Gustavo Machado no mesmo endereço da entrega anterior, foi também inserido o telefone de contato para tratar da entrega. Ao efetuar pesquisa sobre o proprietário do número telefônico, a autoridade policial constatou que o celular está cadastrado em nome de Milton de Oliveira Lyra”, descreve a Procuradoria em relatório na Omertà.

Ao pedir as medidas cautelares contra Lyra ao juiz federal Sérgio Moro, a força-tarefa afirmou que é necessário aprofundar as investigações em relação a ele.

“Cumpre destacar, ainda, que, embora a autoridade policial tenha feito referências a notícias de imprensa que veiculam suposto relacionamento entre Milton Lyra e o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), a presente medida não busca, de forma alguma, promover qualquer investigação em relação a pessoa detentora de prerrogativa de foro. Aliás, pelo que se observa claramente dos autos, as provas que instruem o presente feito não revelam quaisquer indícios mínimos de cometimento de crime por pessoa detentora de prerrogativa de foro”, sustentam os procuradores.

Lyra havia sido citado em delação premiada firmada com a Procuradoria-Geral da República que apontou o suposto repasse de propinas milionárias para senadores do PMDB, entre eles o presidente do Congresso, Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR) e Eduardo Braga (AM).

Nelson Mello, ex-diretor de Relações Institucionais do Grupo Hypermarcas, afirmou em seu depoimento aos procuradores que pagou R$ 30 milhões a dois lobistas com trânsito no Congresso para efetuar os repasses. Lúcio Bolonha Funaro e Milton Lyra seriam os responsáveis por distribuir o dinheiro para os senadores.

Lyra, por sua vez, afirmava agir em nome dos senadores “da bancada do PMDB” que teriam sido destinatários da maior parte da propina.

Tudo o que sabemos sobre:

operação Lava JatoMilton Lyra

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.