Okamotto diz à PF que ‘fazia contato’ com empreiteiras por doações

Okamotto diz à PF que ‘fazia contato’ com empreiteiras por doações

Presidente do Instituto Lula, alvo da Operação Aletheia, contou ter pedido 'apoio' da OAS na locação de um galpão para alojar bens recebidos por ex-presidente

Mateus Coutinho, Julia Affonso e Andreza Matais

17 de março de 2016 | 15h04

Paulo Okamotto. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Paulo Okamotto. Foto: Daniel Teixeira/Estadão

Em depoimento aos investigadores da Operação Aletheia, desdobramento da Lava Jato, o presidente do Instituto Lula Paulo Okamotto afirmou que fazia o contato e solicitava as doações das empreiteiras para o instituto e que também tratava com os clientes dos contratos de palestras do ex-presidente por meio da empresa LILS Eventos.

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Ele afirmou ainda que Lula não buscava recursos para seu instituto “por ser mais político” e disse ter procurado a empreiteira OAS para que a empresa “apoiasse” o aluguel de um galpão para armazenar parte dos bens recebidos por Lula na Presidência. Em cinco anos, entre 2011 e 2015 a empresa desembolsou R$ 1,2 milhão em aluguel para guardar os objetos do ex-presidente, o que é alvo de investigação da Lava Jato que suspeita que ele esse dinheiro teria sido lavado do esquema de propinas na Petrobrás.

LEIA TRECHO DO DEPOIMENTO DE OKAMOTTO

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Em 14 páginas, Okamotto dá detalhes sobre o funcionamento do Instituto e da empresa de palestras do ex-presidente, que tem apenas ele e Lula como sócios. Ainda segundo ele, petista nunca atuou em favor do governo para empreiteiras que contribuíram para o instituto, pois, segundo Okamotto, as doações “possuíam finalidades específicas” para os programas e projetos da entidade.

Ainda de acordo com Okamotto, o Instituto Lula movimenta de R$ 6 a R$ 7 milhões por ano, valores arrecadados por ele por meio de transferências ou depósitos bancários junto às grandes empreiteiras que são investigadas por envolvimento no esquema de corrupção na Operação Lava Jato. A versão de Okamotto vai de encontro ao depoimento do próprio Lula que, diante dos investigadores da Lava Jato, negou ter atuado para buscar recursos e mesmo tratar do dinheiro para sua entidade.

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Sítio. O presidente do instituto afirmou ainda que frequentou “8 ou 10 vezes” o sítio em Atibaia que, segundo ele, é uma chácara “que o pessoal compartilha”, disse aos investigadores da Lava Jato.

O imóvel, que recebeu reforma de empreiteiras investigadas por terem participado do esquema de corrupção na Petrobrás, pertence aos empresários Fernando Bittar e Jonas Suassuna e está na mira da Lava Jato que suspeita que o ex-presidente Lula seja o verdadeiro dono do local. Okamotto ainda disse que foi ao local há um mês atrás “combinar alguma coisa” com Lula. Na ocasião também estavam lá a mulher do ex-presidente Marisa Letícia e Fernando Bittar, segundo Okamotto.

O presidente do Instituto Lula ainda disse ter conhecido o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, apenas em eventos sociais na casa do ex-presidente e negou manter relacionamentos profissionais com ele.

Okamotto também disse não ter conhecimento sobre as obras do tríplex do Guarujá que os investigadores atribuem ao ex-presidente e que foi reformado por grandes empreiteiras, bem como alegou não conhecer nenhum dos ex-diretores da Petrobrás presos pela Lava Jato e que foram indicados para as diretoria da Petrobrás durante o governo Lula.

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