Ministro põe Richa na mira de Moro na Lava Jato

Ministro põe Richa na mira de Moro na Lava Jato

Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça, também enviou investigações para a Justiça Eleitoral; tucano perdeu o foro privilegiado depois de deixar a chefia do Executivo do Paraná para disputar a cadeira de senador nas próximas eleições

Rafael Moraes Moura e Amanda Pupo/BRASÍLIA

26 de abril de 2018 | 18h03

Beto Richa. Foto: Joka Madruga/ Futura Press

BRASÍLIA – O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), decidiu enviar à Justiça Eleitoral do Paraná um processo instaurado contra o ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB) no âmbito da delação da Odebrecht, informou na tarde desta quinta-feira (26) a assessoria do tribunal.

Og Fernandes também decidiu encaminhar ao juiz federal Sérgio Moro as cópias dos autos do inquérito de Richa – na prática, o tucano segue na mira da Operação Lava Jato. De acordo com a assessoria de imprensa do STJ, tanto Moro quanto a Justiça Eleitoral do Paraná, “no âmbito de suas esferas de atuação, deverão agora dar encaminhamento às investigações”.

Segundo o Broadcast Político apurou, Og Fernandes atendeu na decisão aos pedidos da Procuradoria-Geral da República (PGR), de enviar o inquérito para a Justiça Eleitoral paranaense, com a cópia dos autos para Moro.

O tucano perdeu o foro privilegiado depois de deixar a chefia do Executivo local para disputar a cadeira de senador nas próximas eleições.

De acordo com delatores da Odebrecht, Richa recebeu mais de R$ 3 milhões em “vantagens indevidas” para as campanhas eleitorais de 2008, 2010 e 2014, operacionalizados por diversas pessoas.

A relação do governador, que recebeu os apelidos de ‘Brigão’ e ‘Piloto’, com a construtora começou em 2008, quando ele se candidatou à Prefeitura de Curitiba.

PROCESSOS. Há duas semanas, o ministro Herman Benjamin decidiu encaminhar para a primeira instância dois outros processos que tramitavam na Corte contra Richa.

Em um dos casos, Beto Richa é investigado pelo emprego irregular de verbas conveniadas com a União quando era prefeito de Curitiba. Esse processo foi encaminhado para a Justiça Federal de 1º Grau no Paraná, que não tem relação com a Operação Lava Jato, conforme antecipou o Broadcast Político.

No outro processo, Richa é alvo de um inquérito que apura suspeitas de corrupção na concessão de licença ambiental pelo Instituto Ambiental do Paraná. Esse caso foi encaminhado à Justiça Federal em Paranaguá (PR).

ALCKMIN. No dia 11 de abril, a ministra Nancy Andrighi, do STJ, decidiu encaminhar à Justiça Eleitoral de São Paulo o inquérito instaurado com base na delação da Odebrecht que investiga o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) por suspeitas de caixa 2. Dessa forma, o tucano – que deixou o cargo para disputar a Presidência da República – ficou fora, por ora, da rota da Lava Jato

Pré-candidato tucano à Presidência, Alckmin foi citado por delatores da Odebrecht como beneficiário de recursos para campanha eleitoral. A investigação agora passa a ter caráter de crime eleitoral e não mais de crime comum.

COM A PALAVRA, BETO RICHA

“A decisão do ministro Og Fernandes, determinando a remessa do caso à Justiça Eleitoral e à Justiça Federal, atende requerimento do Ministério Público Federal, que muito estranhamente diverge totalmente do posicionamento adotado em casos similares. A defesa de Beto Richa afirma ainda que buscará a observância do princípio da isonomia de tratamento em investigações que muito se assemelham”, disse o ex-governador, por meio de sua assessoria de imprensa.

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