Offshore de Eike que pagou propina a Sérgio Cabral também pagou João Santana

Offshore de Eike que pagou propina a Sérgio Cabral também pagou João Santana

Golden Rock Foundation, no Panamá, foi canal para repasse de US$ 16,5 milhões a ex-governador em 2011 e R$ 5 milhões, em 2013, a marqueteiro das campanhas de Lula e Dilma

Mateus Coutinho, Fábio Serapião e Ricardo Brandt

26 de janeiro de 2017 | 15h44

BRA01. RÍO DE JANEIRO (BRASIL), 18/11/2014.- Fotografía de archivo del empresario brasileño Eike Batista (i) mientras espera el inicio de la primera audiencia del juicio en su contra por supuestos delitos bursátiles el, martes 18 de noviembre de 2014, en el tribunal federal en Río de Janeiro (Brasil). La Policía Federal allanó hoy, 26 de enero de 2017, la residencia y oficinas del magnate brasileño Eike Batista, contra quien ha sido dictada una orden de arresto que no ha podido ser cumplida porque se encuentra de viaje, informaron fuentes oficiales. EFE/Marcelo Sayão/ARCHIVO

O empresário Eike Batista. Foto: EFE/Marcelo Sayão

A conta no Panamá da offshore Golden Rock Foundation usada por Eike Batista para pagar propina de US$ 16,5 milhões ao ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), em 2011, segundo a Procuradoria da República no Rio, é a mesma que foi utilizada para o empresário transferir US$ 2,3 milhões em 2013 para uma offshore na Suíça do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura, que atuaram nas campanhas eleitorais de Lula (2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014).

A ‘coincidência’ das operações financeiras no exterior daquele que foi apontado como um dos maiores empresários do País chamou a atenção do Ministério Público Federal. Os procuradores da República que integram a força-tarefa da Operação Eficiência – deflagrada nesta quinta-feira, 26, e que culminou com a prisão de Eike -, suspeitam que a conta da Golden Rock mantida pelo empresário no TAG Bank, no Panamá, servia para o pagamentos de agentes públicos.

A transferência envolvendo Cabral e seus operadores financeiros é um dos fatos que a investigação da força-tarefa do Rio quer aprofundar na Operação Eficiência – investigação que revelou um esquema de lavagem de mais de US$ 100 milhões da organização criminosa supostamente liderada pelo peemedebista.

A operação foi identificada graças à colaboração premiada de dois operadores do mercado financeiro, os irmãos Renato Chaber e Marcelo Chaber, que lavaram dinheiro de propinas para o peemedebista desde o início dos anos 2000, e cuidaram da estruturação no Panamá e no Uruguai para transferência dos valores de Eike para Cabral, em 2011.

O valor acabou sendo utilizado para a compra de ações da Petrobrás, Ambev e Vale na bolsa de Nova York pelos operadores do peemedebista por meio de um banco no Uruguai.

Os procuradores da República no Rio tomaram o depoimento de Eike no dia 30 de novembro do ano passado, ocasião em que ele afirmou jamais ter pago propina a Sérgio Cabral, e, diante de todos os elementos, pediram ao juiz federal Marcelo Bretas, responsável pelos desdobramentos da Lava Jato no Estado, a prisão preventiva do empresário, que viajou para Nova York dias antes.

Marqueteiros. As suspeitas sobre a offshore de Eike, contudo, já estavam no radar da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba desde o ano passado. No dia 20 de maio de 2016, o empresário foi até a Procuradoria da República em Curitiba e depôs espontaneamente. Na ocasião, ele relatou que teria recebido uma solicitação expressa em 2012 do então ministro da Fazenda Guido Mantega para doar R$ 5 milhões para o PT.

Na versão do empresário, o pagamento foi acertado por meio de uma transferência da conta da Golden Rock para a offshore Shellbill Finance, do casal de marqueteiros que atuavam para o PT, em 2013. O depoimento serviu de base para a deflagração da Operação Arquivo X, 34.ª fase da Lava Jato, em setembro do ano passado e levou Mantega à prisão – no mesmo dia, o ex-ministro foi solto.

Além do repasse para os marqueteiros, a operação aprofundou as investigações sobre outras duas frentes de pagamento de propinas pela empreiteira Mendes Júnior e a OSX Construções Navais referentes ao contrato de construção das plataformas de exploração de petróleo para o pré-sal P-67 e P-70.

João Santana e Mônica Moura já admitiram que a offshore Shellbill que mantinham no exterior recebeu em 2013 US$ 4,5 milhões de caixa 2 referentes à campanha presidencial de Dilma Rousseff, em 2010. Eles não se manifestaram, contudo, sobre as acusações de Eike, pois estão tentando negociar um acordo de colaboração premiada com a força-tarefa da Lava Jato.

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