Offshore da Venezuela operou transação de US$ 5 bi investigada na Perfídia

Offshore da Venezuela operou transação de US$ 5 bi investigada na Perfídia

Documentos apreendidos no escritório de advogada em Brasília revelam transação no valor de 1,5 trilhão de bolívares

Luiz Vassallo, Fabio Fabrini, Fábio Serapião e Julia Affonso

27 de abril de 2017 | 13h21

Documentos apreendidos no escritório da advogada Cláudia Chater pela Polícia Federal dão conta de uma transação de US$ 5 bilhões de uma offshore com sede em Miranda, na Venezuela, a um banco sediado em Copenhagen, na Dinamarca. Ela foi presa no âmbito da Operação Perfídia, nesta quarta-feira, 26.

A Perfídia descobriu a movimentação de cifras bilionárias por um grupo investigado pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsificação de documentos. De acordo com o relatório da Polícia Federal, o ‘núcleo duro’ da organização é liderado por Cláudia Chater e familiares.

Uma das transações investigadas pela Polícia Federal se deu entre a offshore Global Recreative Sistem – GRS C.A., sediada na cidade Miranda, na Venezuela, e o banco PASPX PLC, ‘ebanking sediado em Copenhagen, na Dinamarca.

Segundo um contrato privado de transação de investimento, redigido em inglês, encontrado no escritório de Cláudia Chater, o banco adquiriu da Offshore ‘Bs (um trilhão e quinhentos bilhões de Bolívares Venezuelanos – VEF), que, submetido a taxa de conversão aplicada a 300 Bs (trezentos Bolívares Venezuelanos) equivalentes a US$ 1 (um Dólar), resultou no pagamento do valor totalizado de US$ 4.833.333.333,33 (quatro bilhões e oitocentos e trinta e três milhões e trezentos e trinte e três mil e trezentos e trinta e três Dólares e trinta e três centavos)’.

O relatório da Operação Perfídia atribui a Maurício Araújo de Oliveira Souza o papel de representante legal da offshore na Venezuela.

Ele é apontado pela Polícia Federal como integrante do ‘núcleo de pessoas interpostas’ da organização criminosa investigada, ‘composto por indivíduos que auxiliam o grupo investigado, preservando a real identidade dos que adquirem imóveis, remetem dinheiro ao exterior e na administração de pessoas jurídicas vinculadas ao grupo (agências lotéricas e hotéis, postos e outros) e offshore’.

Apontados como envolvidos com o mesmo grupo, Joaquim Pereira Paulo Neto e Simei Bezerra da Silva também seriam responsáveis pela offshore, segundo a PF. Eles teriam sido cooptados por Edvaldo Pinto, também preso na Perfídia, investigado por ‘atender demandas’ de Cláudia Chater.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE CLÁUDIA CHATER

A defesa de Cláudia Chater não respondeu aos questionamentos da reportagem. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, ISMAIL SULEIMAN

O advogado de Ismail Suleiman, Grimoaldo Roberto de Resende, esclareceu que ‘a ação penal ainda está em curso e não tem sentença’.

“Naturalmente, acredito em sua absolvição por estar convicto de que ele não agiu com dolo. Foi ouvido sem estar assistido por tradutor oficial e, por certo, não entendeu o alcance dos fatos e talvez não tenha sido entendido corretamente. Hoje, ele está na Jordânia e, acaso seja convocado, poderá comparecer”, afirma o advogado.

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