Odebrecht vem retirando alvos da Lava Jato de alcance de autoridades, diz procurador

Odebrecht vem retirando alvos da Lava Jato de alcance de autoridades, diz procurador

Carlos Fernando Lima, da força-tarefa do MPF, diz que maior empreiteira do País investigada por corrupção na Petrobrás tem atrapalhado apurações

Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

22 de fevereiro de 2016 | 11h12

Prédio da Odebrecht em São Paulo. Foto: Paulo Whitaker/Reuters

Prédio da Odebrecht em São Paulo. Foto: Paulo Whitaker/Reuters

O procurador regional da República Carlos Fernando do Santos Lima, da força-tarefa da Operação Lava Jato, afirmou que foram encontrados indícios de que a empreiteira Odebrecht “vem retirando” investigados do “alcance das autoridades”. Cinco alvos de pedido de prisão da Operação Acarajé, deflagrada nesta segunda-feira, 22, estão no exterior, entre eles o marqueteiro do PT João Santana e executivos da Odebrecht que eram os supostos controladores de contas do grupo no exterior.

“Há indícios de que essa empresa vem retirando eles do alcance das autoridades”, afirmou o procurador, durante entrevista coletiva, na sede da Polícia Federal, em Curitiba, na manhã desta segunda-feira, 22.
Os cinco alvos devem entrar na lista vermelha da Interpol, segundo o delegado da PF Igor Romário de Paula. “Os cinco devem entrar em divisão vermelha para procura e captura no exterior.”

Segundo o delegado, a Operação Acarajé – nome da 23ª fase da Lava Jato – chegou a ser adiada, porque havia informação de retorno do casal de marquteiros ao Brasil no sábado, mas João Santana e sua mulher Mônica acabaram adiando a volta.

A força-tarefa revelou “novas provas do possível envolvimento do empresário Marcelo Bahia Odebrecht em novos crimes graves, e de que tinha controle sobre os pagamentos feitos no exterior por meio de offshores, as quais ele geria por intermédio pessoas a ele subordinadas e ligadas, direta ou indiretamente, à Odebrecht’.

Entre os alvos que tinham controles de contas no exterior da Odebrecht estão Hilberto Mascarenhas Alves Silva Filho e Luiz Eduardo Rocha Soares.

“Suspeita-se que Hilberto Mascarenhas Alves Silva Filho e Luiz Eduardo Rocha Soares, os quais tiveram vínculo formal com a Odebrecht, controlam, em conjunto com outras pessoas, como Fernando Miggliaccio da Silva, a utilização das contas offshores que fizeram pagamentos ocultos no exterior por ordem do Grupo Odebrecht.”

Segundo os procuradores da Acarajé, ‘dentre essas contas usadas estavam as da Klienfeld e da Constructora del Sur’.

“Há indicativos de que Luiz Eduardo e Fernando Migliaccio chegaram a se evadir do País pouco tempo após as buscas e apreensões feitas sobre a empresa em 19 de junho de 2015, suspeitando-se que no caso de Fernando isso tenha acontecido por orientação superior da empresa, a qual pagou suas despesas de mudança e manutenção no exterior.”

Uma delas, a Klienfeld foi uma das que pagou valores no exterior (Estados Unidos e Inglaterra) para a conta secreta de João Santana em nome da offshore Shellbill Finance S.A. – que recebeu US$ 3 milhões entre 2012 e 2013, supostamente em benefício do PT, oriundos da Odebrecht.

Entre os pagamentos identificados consta um realizado em 11 de julho de 2012, de US$ 1 milhão, outro em 4 março de 2013, de US$ 700 mil e outro de US$ 800 mil. “Somando foram depositados por offshores empregadas pela Odebrecht US$ 3 milhões em favor de João Santana”, explicou o delegado Filipe Hile Pacce.

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