Odebrecht sobre Mantega: ‘Esse acesso era por quê? Eu era um grande doador’

Odebrecht sobre Mantega: ‘Esse acesso era por quê? Eu era um grande doador’

Delação do maior empreiteiro do País trata de influência política junto ao ex-ministro do governo Dilma por benefícios no setor de etanol

Julia Affonso, Ricardo Brandt, Fábio Serapião e Beatriz Bulla

12 de abril de 2017 | 19h05

Guido Mantega. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Guido Mantega. Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Um capítulo da delação premiada do ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht à Operação Lava Jato trata da influência do empreiteiro junto ao ex-ministro Guido Mantega (Governo Dilma/Fazenda). O grupo empresarial teria recebido benefícios no setor do etanol pela atuação de Marcelo Odebrecht.

“A gente criou uma relação onde eu tinha acesso a ele, ele atendia a algumas coisas e ele sabia que eu doava. Ao mesmo tempo, eu criava esse compromisso implícito. Esse é um exemplo de como funcionava o governo. Vamos supor que a Odebrecht não estivesse no setor do etanol, provavelmente, por mais legítimo que tenha sido isso aqui, era capaz de sem o acesso que eu tinha a ele, isso aqui não ter saído”, afirmou Marcelo.

“Esse acesso que eu tinha a ele era por quê? Porque ele sabia que eu era um grande doador. Se ele não começasse a resolver uma parte dos problemas que eu levava a ele, legítimos ou não, eu ia criar dificuldade na época de eleição. Eu era um dos maiores doadores, ele criaria um buraco para a campanha dela. Apesar de não sei uma coisa implícita, era como funciona a relação de um grande doador com uma pessoa do setor público.”

Os depoimentos de Odebrecht, gravados em áudio e vídeo pela Procuradoria-Geral da República, compõem a base dos 76 inquéritos que o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, mandou abrir porque envolvem deputados, senadores, governadores, ministros e outros políticos que detêm foro privilegiado.

Outras investigações serão abertas em graus inferiores da Justiça – nestes casos, os investigados são ex-políticos ou agentes públicos que não desfrutam do foro especial.

Os vídeos da delação de Marcelo Odebrecht foram liberados pelo STF nesta quarta-feira, 12.

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