Odebrecht quer impedir envio de extratos bancários da Suíça ao Brasil

Empreiteira cujo presidente está preso desde 19 de junho por suspeita de corrupção entra com ação no país europeu para tentar barrar remessa de documentos para a Lava Jato

Redação

27 de agosto de 2015 | 17h12

Sede da empreiteira foi alvo de buscas. Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

Sede da empreiteira foi alvo de buscas na Lava Jato. Foto: Marcos Bezerra/Futura Press

Jamil Chade, de Genebra, Julia Affonso e Ricardo Brandt

Advogados contratados pela empreiteira Odebrecht entraram com uma ação na Justiça da Suíça para tentar impedir que documentos coletados pelo Ministério Público suíço sejam enviados ao Brasil e para que possam fazer parte do processo contra os executivos da empresa. Os documentos seriam peças fundamentais e que apontariam o destino das propinas, além dos valores movimentados nas contas secretas na Suíça pela construtora.

O Estado obteve confirmação de que a iniciativa legal tem como meta impugnar qualquer remessa de documentos, extratos bancários e informações sobre transferências relativas a pessoas envolvidas com a construtora. O argumento utilizado é de que o envio seria uma medida desproporcional por parte dos suíços e que o Brasil não teria apresentado provas suficientes que justificasse a cooperação.

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Investigadores da Lava Jato veem na medida uma ‘flagrante contradição’ da Odebrecht. Publicamente, e nos autos da Lava Jato, a empreiteira afirma que está colaborando com as investigações. Ao mesmo tempo, porém, na Suíça a empresa tenta barrar a remessa de documentos importantes para a Lava Jato.

O caso está sendo avaliado por um tribunal local. Mas a Odebrecht teria ainda o direito de levar o caso até o Supremo Tribunal Federal da Suíça para tentar impedir o envio de documentos.

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Desde o final do ano passado, o Ministério Público brasileiro e suíço te proliferado reuniões e encontros para examinar documentos de contas bancárias. Em meados do ano, os suíços decidiram ampliar as investigações que se limitavam à Petrobras para também incluir a Odebrecht.

A constatação dos investigadores suíços é de que transferências envolvendo novos atores no caso e pessoas até agora não citadas começaram a surgir ao receberem os dados dos bancos que, por lei, foram obrigados a cooperar. Mais de 300 contas foram encontradas por enquanto.

A Odebrecht ainda está tentando impugnar documentos que já foram enviados da Suíça ao Brasil para que o MP no país pudesse realizar oitivas que atendiam aos interesses das investigações dos procuradores de Lausanne. Esses documentos já foram utilizados na ação penal que existe no Brasil contra a Odebrecht.

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Não é a primeira vez que isso ocorre na relação de cooperação entre o Brasil e a Suíça. Em 2003, o ex-prefeito Paulo Maluf também tentou impedir a remessa de documentos de suas contas na Suíça e o caso parou no Supremo Federal, em Lausanne.

Ele acabou sendo derrotado e a Justiça deu sinal verde para que os documentos fossem compartilhados com o MP no Brasil.

Para o caso da Odebrecht, os procuradores suíços estão confiantes de que a Justiça seguirá o mesmo caminho, sob a justificativa de que existem suspeitas suficientes para argumentar que os documentos podem ajudar o Brasil nas investigações. Eles também consideram que atuaram dentro da lei ao exigir dos bancos o congelamento de contas e que o envio de documentos ao Brasil não é uma medida desproporcional.

Oficialmente, o Ministério Publico da Suíça indicou que não poderia comentar a iniciativa da Odebrecht. “A Procuradoria Geral não pode nem confirmar e nem negar qualquer tipo de ação legal tomada por representantes ou pela empresa mencionada”, indicou o MP suíço, que aponta que precisa manter sigilo sobre o processo.

COM A PALAVRA, A ODEBRECHT

“A inclusão da Construtora Norberto Odebrecht em investigação realizada pelas autoridades suíças foi noticiada quando do oferecimento de denúncia contra seus executivos e ex-executivos no Brasil. A empresa contratou advogados locais para adotar as medidas judiciais cabíveis com o objetivo de zelar pelo cumprimento das regras de cooperação internacional.”

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