EXCLUSIVO: Odebrecht pagou R$ 350 mil em espécie para Dirceu ‘guerrilheiro’, afirma delator

EXCLUSIVO: Odebrecht pagou R$ 350 mil em espécie para Dirceu ‘guerrilheiro’, afirma delator

Em delação premiada, o ex-presidente da Odebrecht Ambiental Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos Reis afirmou que o 'Departamento de Propinas' da construtora fez repasses para campanhas eleitorais em 2008, 2010 e 2012, ‘seguindo indicação de José Dirceu'; entre os beneficiários estariam o filho do ex-ministro, o deputado Zeca Dirceu (PT-PR)

Breno Pires, de Brasília, e Luiz Vassallo, de São Paulo

11 de abril de 2017 | 17h46

O ex-ministro José Dirceu, preso pela Lava Jato. Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

O ex-ministro José Dirceu, preso pela Lava Jato. Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters

O ex-presidente da Odebrecht Ambiental Fernando Luiz Ayres da Cunha Santos – um dos 77 delatores da empreiteira na Operação Lava Jato -, afirmou que o grupo fez ‘pagamentos em espécie de R$ 350 mil’ para o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula), quando já não ocupava mais cargos no governo.

O Estado teve acesso a despachos do ministro Fachin, assinados eletronicamente no dia 4 de abril.

O executivo afirmou que ‘se reunia pessoalmente’ com Dirceu e que parte dos valores foi direcionada à campanha do filho do ex-ministro, Zeca Dirceu para deputado federal. Segundo o delator, o petista era registrado com o codinome ‘guerrilheiro’ no setor de propinas da Odebrecht.

O depoimento de Fernando Ayres embasou pedido do procurador-geral da República de abertura de investigação contra Dirceu e Zeca, autorizado pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal.

Dirceu está preso desde agosto de 2015. Ele foi condenado em duas ações penais pelo juiz federal Sérgio Moro. Somadas, as penas contra Dirceu chegam a 31 anos de prisão. O petista foi sentenciado em maio de 2016 a 23 anos e 3 meses por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em março deste ano, voltou a ser condenado por corrupção e lavagem de dinheiro, desta vez, por 11 anos e 3 meses.
“Segundo o Ministério Público, o colaborador afirma que esteve com José Dirceu, após este não ser mais Ministro de Estado, por várias ocasiões, quando discutiram eventuais negócios privados que o ex-ministro pudesse intermediar. Nesses encontros também foram tratadas contribuições para as campanhas municipais dos anos de 2008 e 2012 e para o legislativo estadual e federal no ano de 2010, as quais seguiam a indicação de José Dirceu”, destaca o relator da Lava Jato no Supremo.

A Procuradoria ainda comunicou o ministro que pagamentos em espécie foram identificados com o codinome “Guerrilheiro”, que constava em planilhas do ‘Drousys’, sistema de informática utilizado pelo departamento de propinas da construtora para registrar pagamentos.

De acordo com os documentos, R$ 350 mil foram repassados a ‘Guerrilheiro’ e os pagamentos ‘eram feitos diretamente aos beneficiários, e não a José Dirceu’.

“Narra-se, ainda, que nos anos de 2010 e 2014, foram efetuados, a pedido de José Dirceu, repasses a pretexto de auxílio à campanha eleitoral do deputado federal Zeca Dirceu, no valor de R$ 250 mil, por meio do Setor de Operações Estruturadas”, assinala Fachin.

Atendendo a pedido da Procuradoria-Geral da República, o relator da Lava Jato no STF autorizou o levantamento do sigilo dos depoimentos dos executivos.

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