Odebrecht diz que Temer não lhe pediu dinheiro, mas que tratou com Padilha

Empreiteiro preso desde junho de 2015 disse ao ministro-corregedor do TSE Herman Benjamin, que conduz Ação de Investigação Judicial Eleitoral contra a chapa Dilma/Temer, que o ministro licenciado da Casa Civil tratou de repasses em jantar no Jaburu

Fausto Macedo e Valmar Hupsel Filho

01 Março 2017 | 21h01

Marcelo Bahia Odebrecht, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro

Marcelo Bahia Odebrecht, em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro

 

O empreiteiro Marcelo Odebrecht disse nesta quarta-feira de Cinzas, 1, que o presidente Michel Temer (PMDB) ‘nunca’ lhe pediu dinheiro. Em depoimento de cerca de quatro horas ao ministro-corregedor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Herman Benjamin – responsável pela Ação de Investigação Judicial Eleitoral contra a chapa Dilma/Temer –  ele confirmou a informação sobre um jantar no Palácio do Jaburu com o peemedebista, então vice-presidente, em 2014. Mas declarou que não se lembra de Temer ter solicitado R$ 10 milhões, como declarou o ex-diretor de Relações Institucionais da empreiteira Claudio Melo Filho, em delação premiada.

Odebrecht disse que Melo Filho ligou para ele e falou sobre doação para o grupo de Temer para apoiar aliados do peemedebista. O empreiteiro disse que acha que Melo Filho lhe contou que foi Eliseu Padilha (ministro licenciado da Casa Civil) quem pediu recursos.

O empreiteiro contou ao ministro do TSE que recomendou a Melo Filho que consultasse empresários do grupo para levantar o dinheiro.

Ainda em seu relato ao ministro Herman Benjamin, o empresário relatou que Melo Filho contou que o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo Paulo Skaf pediu doação de R$ 6 milhões. Melo Filho avisou que havia levantado os R$ 10 milhões e, então, sugeriu o jantar no Jaburu.

Odebrecht afirmou que durante todo o jantar não se recorda de Temer ter solicitado o dinheiro e que apenas depois que o então vice-presidente deixou o local, ele conversou com Eliseu Padilha e com Melo Filho.

O empreiteiro destacou que foi apenas desta vez que se encontrou com Temer para falar de verba de campanha.

COM A PALAVRA, A PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA:

Em nota publicada no dia 24 de fevereiro, o governo Temer esclareceu:

“Quando presidente do PMDB, Michel Temer pediu auxílio formal e oficial à Construtora Norberto Odebrecht. Não autorizou, nem solicitou que nada fosse feito sem amparo nas regras da Lei Eleitoral. A Odebrecht doou R$ 11,3 milhões ao PMDB em 2014. Tudo declarado na prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral. É essa a única e exclusiva participação do presidente no episódio”.

Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República

COM A PALAVRA, A DEFESA DE DILMA ROUSSEFF (PT):

“Sobre as declarações do empresário Marcelo Odebrecht em depoimento à Justiça Eleitoral, a Assessoria de Imprensa de Dilma Rousseff afirma:

1. É mentirosa a informação de que Dilma Rousseff teria pedido recursos ao senhor Marcelo Odebrecht ou a quaisquer empresários, ou mesmo autorizado pagamentos a prestadores de serviços fora do país, ou por meio de caixa dois, durante as campanhas presidenciais de 2010 e 2014.

2. Também não é verdade que Dilma Rousseff tenha indicado o ex-ministro Guido Mantega como seu representante junto a qualquer empresa tendo como objetivo a arrecadação financeira para as campanhas presidenciais. Nas duas eleições, foram designados tesoureiros, de acordo com a legislação. O próprio ex-ministro Guido Mantega desmentiu tal informação.

3. A insistência em impor à ex-presidenta uma conduta suspeita ou lesiva à democracia ou ao processo eleitoral é um insulto à sua honestidade e um despropósito a quem quer conhecer a verdade sobre os fatos.

4. Estranhamente, são divulgadas à imprensa, sempre de maneira seletiva, trechos de declarações ou informações truncadas. E ocorrem justamente quando vêm à tona novas suspeitas contra os artífices do Golpe de 2016, que resultou no impeachment da ex-presidenta da República.

5. Dilma Rousseff tem a certeza de que a verdade irá prevalecer e o caráter lesivo das acusações infundadas será reparado na própria Justiça.

6. Por fim, cabe reiterar que todas as doações às campanhas de Dilma Rousseff foram feitas de acordo com a legislação, tendo as duas prestações de contas sido aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral.”
ASSESSORIA DE IMPRENSA
DILMA ROUSSEFF

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