Odebrecht diz que doações de R$ 14 mi a Palocci e R$ 2,5 mi a Skaf foram ‘reembolsadas’

Odebrecht diz que doações de R$ 14 mi a Palocci e R$ 2,5 mi a Skaf foram ‘reembolsadas’

Ex-presidente do Grupo revela contrato da empreiteira com a Companhia Siderúrgica Nacional para construção de uma fábrica de aço em contrapartida aos repasses feitos a pedido de Benjamin Steinbruch

Julia Lindner, de Brasília

14 de abril de 2017 | 20h00

Paulo Skaf. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Paulo Skaf. Foto: Nilton Fukuda/Estadão

Ex-presidente do grupo que leva o seu nome, Marcelo Odebrecht, afirmou em acordo de delação premiada que as doações eleitorais de R$ 14 milhões ao ex-ministro Antonio Palocci (Governos Lula e Dilma/Fazenda e Casa Civil) e de R$ 2,5 milhões a Paulo Skaf, por meio de caixa dois, foram “reembolsadas” em um contrato da empresa com a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) para a construção de uma fábrica de aço. As doações teriam sido feitas a pedido de Benjamin Steinbruch, então presidente da CSN.

No depoimento, Marcelo conta que era comum receber pedidos de empresários para fazer doações eleitorais à parlamentares. “Não era incomum que um empresário de algum Estado ligar para mim e pedir assim: ‘Marcelo, vê como é que vocês apoiam esse candidato, esse deputado, esse senador. Não era incomum empresários promoverem jantares e pedirem apoio, era uma maneira de o cara jogar para outro também os problemas que tinha'”, disse. Segundo Marcelo, esses pedidos costumavam ser “pequenos”, entre R$ 20 mil e R$ 50 mil, e nem sequer eram restituídos.

Os valores solicitados por Benjamin, entretanto, foram considerados muito altos. “Esse pedido específico foi de maior dimensão. Obviamente que aí eu não tinha como fazer e não ser reembolsado”, declarou Marcelo. O delator conta que ele e Benjamin teriam prometido doar R$ 2,5 milhões cada para a candidatura de Skaf durante um jantar. “Acho que foi por conta dessa [doação] de Paulo que ele me pediu para resolver essa do Paulo de 2,5 [milhões de reais] dele e aí meteu aquele compromisso que ele tinha com o PT. Foi isso”, continua Marcelo. Ele destacou que em nenhum momento Benjamin perguntou de que maneira a doação seria feita.

“Por alguma razão, que não cabe a mim julgar, ele [Benjamin] não conseguiu [cumprir o compromisso], e ele não estava querendo aparecer por alguma razão, e ele ‘pediu Marcelo, dá para você fazer essa doação por mim?’ Como na época eu tinha um contrato com ele de uma indústria de aço, para construir uma fábrica de aços longos, eu falei ‘tudo bem, eu faço e você me reembolsa no contrato, no valor, tudo bem.’ Ele disse qual era o valor, disse que ia avisar a pessoa, a gente fez a doação, ele nunca me perguntou, nunca me disse se era oficial ou não”, ressaltou Marcelo.

Nos registros da Odebrecht anexados à petição, a doação a Palocci consta como “italiano aço”, já a de Skaf consta como “rolamento”.

Outro lado. Segundo a assessoria de Skaf, “todas as doações recebidas pela sua campanha ao governo de São Paulo estão devidamente registradas na Justiça Eleitoral, que aprovou sua prestação de contas sem qualquer reparo”. “Paulo Skaf nunca pediu e nem autorizou ninguém a pedir qualquer contribuição de campanha que não as regularmente declaradas”, diz a nota. Os advogados de Palocci não foram encontrados para comentar o teor delação. O Estado não conseguiu localizar Steinbruch.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, tirou o sigilo da investigação sobre Palocci e Skaf e mandou cópia da delação de Odebrecht à Justiça Federal do Paraná, “ficando autorizada, por parte do requerente, a remessa de cópia de idêntico material à Procuradoria da República naquele Estado’”.

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