Oculta na Suíça, propina de Barusco rendeu ao menos US$ 12,7 milhões

Oculta na Suíça, propina de Barusco rendeu ao menos US$ 12,7 milhões

Comissões eram tantas, e de diferentes fontes, que nem o próprio ex-gerente de Serviços da Petrobrás sabe a origem de todos os depósitos em suas contas

Redação

10 de março de 2015 | 16h40

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

A propina que caiu nas contas de Pedro Barusco, ex-gerente da Diretoria de Serviços da Petrobrás, rendeu US$ 12,76 milhões em instituições financeiras na Suíça. Em quatro contas – Tropez, Dole, Marll e Rhea -, Barusco acumulou saldo de US$ 54,29 milhões, a maior parte no período entre 2004 e 2014. Eram tantos os pagadores de propinas que nem o próprio Barusco sabe apontar com precisão a origem de depósitos que abasteceram suas contas na Suíça.

Pedro Barusco. Foto: André Dusek/Estadão

Pedro Barusco durante chegada para prestar depoimento à CPI da Petrobrás, em 10 de março de 2014. Foto: André Dusek/Estadão

Em duas passagens da delação, ele descreve a origem da propina e diz que não conseguiu identificar quem teria mandado o dinheiro.

“Que US$ 2.146.415,00 de outros que ainda não conseguiu identificar”, disse o ex-gerente em um primeiro momento. “Que o restante não conseguiu identificar a origem das propinas.”

As informações constam do próprio depoimento de Pedro Barusco à força tarefa da Operação Lava Jato. Ele fez delação premiada. Para se livrar da prisão, decidiu revelar os caminhos da corrupção na estatal petrolífera. O relato em que ele esmiúça os ativos e as aplicações em bancos suíços foi dado em novembro de 2014.

A primeira conta foi aberta entre 1997 e 1998. Até 2003, o saldo era de US$ 1,8 milhão. Em 2004 Barusco abriu a primeira offshore, Tropez Real State. Ela deu nome à conta que atingiu montante de US$ 13,51 milhões, dos quais US$ 8,7 milhões tiveram origem em propinas e o restante foi de rendimentos (US$ 4,75 milhões).


Na segunda conta, batizada Dole, aberta em 2005 e encerrada em 2014, o saldo bateu em US$ 11,05 milhões, dos quais US$ 2,86 milhões só em rendimentos. Ainda em 2005 ele abriu a conta Marl que, ao ser encerrada, apresentava saldo de US$ 15,44 milhões. Desse montante, US$ 12,71 milhões foram em propinas. A Dole engordou com US$ 2,72 milhões em rendimentos.

A conta Rhea chegou a um volume de recursos de US$ 14,28 milhões, dos quais US$ 11,86 milhões relativos a “depósitos de propinas”. O rendimento bateu em US$ 2,41 milhões.

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