OAS pagou R$ 125 milhões a políticos, dizem delatores

Segundo informação revelada pelo jornal O Globo, 21 políticos são citados por empreiteira em acordo homologado pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal

Redação

27 de fevereiro de 2019 | 21h59

Delatores da construtora OAS relataram à Procuradoria-Geral da República (PGR) repasses de cerca de R$ 125 milhões em propina e caixa 2 a um total de 21 políticos de oito partidos distintos entre 2010 e 2014. A informação foi revelada pelo jornal O Globo. Entre os nomes citados estão o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Vital do Rêgo, os senadores José Serra (PSDB-SP) e Jaques Wagner (PT-BA), o deputado Aécio Neves (PSDB-MG), o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ) e o ex-governador Sérgio Cabral (MDB-RJ).

A delação da empreiteira foi homologada no ano passado pelo ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), que manteve o material sob sigilo. Assim como a Odebrecht, a OAS tinha um setor responsável pelo pagamento de propina e elencava os pagamentos a políticos em planilhas. O esquema de corrupção da OAS, segundo relataram oito ex-funcionários que atuavam na Controladoria de Projetos Estruturados, girava em torno do superfaturamento de obras como a transposição do Rio São Francisco, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste e o Porto Maravilha, além da assinatura de contratos com empresas de fachada.

De acordo com o delator Adriano Santana, Rodrigo Maia recebeu caixa 2 para financiar sua campanha à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2012. O acerto inicial teria sido de R$ 250 mil, mas apenas R$ 50 mil teriam sido pagos.

A delação da OAS também mirou os tucanos Aécio Neves e José Serra. Aécio teria recebido R$ 3 milhões em “vantagem indevida” para a campanha presidencial de 2014, quando foi derrotado por Dilma Rousseff (PT). O tucano também teria sido beneficiário de um esquema de R$ 1,2 milhão de caixa 2 via contrato fictício de uma empresa de consultoria, conforme informou O Globo.

O delator Ramilton Junior, por sua vez, teria operacionalizado R$ 1 milhão via caixa 2 para José Serra, que teria sido pago ao ex-deputado Márcio Fortes. Um outro delator, Mateus Coutinho, informou esquema de propina em torno da obra do Rodoanel Sul durante a época em José Serra governou o Estado de São Paulo.

Contra o ministro Vital do Rego, pesam acusações de propina de R$ 3 milhões para a campanha eleitoral de 2014 como blindagem em uma CPMI da Petrobrás.

Os delatores da OAS também levantaram novas acusações contra figuras do MDB, como Eduardo Cunha, Edison Lobão e Sérgio Cabral, acusados de receber propina de R$ 29,6 milhões, R$ 2,1 milhões e caixa 2 de R$ 10 milhões, respectivamente.

Defesas. Em nota, Rodrigo Maia disse que a denúncia contida na delação é “uma ilação caluniosa” e alegou que as doações recebidas foram “registradas e declaradas à Justiça Eleitoral”. O advogado Alberto Zacharias Toron, defensor de Aécio Neves, disse que “é inadmissível que investigados, para obterem benefícios de uma delação, transformem doações oficiais e legais em inexistentes ‘vantagens indevidas’, sem apresentar qualquer prova”.

A assessoria de José Serra, por sua vez, informou que o tucano “jamais recebeu nenhum tipo de vantagem indevida”. Para a defesa de Lobão, “a palavra dos delatores só se baseia em documentos internos produzidos unilateralmente pelos próprios delatores”, sem “credibilidade”.

Já Vital do Rêgo Filho afirma que “não recebeu qualquer doação irregular de campanha”. A defesa de Eduardo Cunha alega que a acusação se trata de “fatos requentados e já apurados na Operação Sepsis, onde Eduardo Cunha se defende e provará sua inocência” A defesa de Jaques Wagner informou que não comentará uma “suposta delação premiada a qual sequer teve acesso”. Os advogados de Sérgio Cabral não responderam à reportagem.

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