OAB repudia foguetório contra o Supremo: ‘ato violento e crimimoso’

OAB repudia foguetório contra o Supremo: ‘ato violento e crimimoso’

Em nota pública, Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e o Colégio de Presidentes dos Conselhos Seccionais da entidade declaram apoio aos ministros da Corte máxima

Rayssa Motta

15 de junho de 2020 | 15h09

Grupo de manifestantes lançou fogos de artifício em direção ao prédio do Supremo Tribunal Federal, em Brasília. Foto: Reprodução

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e o Colégio de Presidentes dos Conselhos Seccionais da OAB subscreveram uma nota de repúdio contra o ataque de manifestantes bolsonaristas do grupo autodenominado ‘300 do Brasil’ ao Supremo Tribunal Federal (STF) na noite de sábado, 13.

Cerca de 30 pessoas simularam, com fogos de artifício, um bombardeio ao prédio principal do STF, na Praça dos Três Poderes, enquanto xingavam ministros da Suprema Corte.

O texto classifica o ato como ‘violento e criminoso’, manifesta apoio aos integrantes do STF e defende que a sociedade não pode aceitar ‘ameaças ou atitudes que minam a democracia’. “São inaceitáveis manifestações violentas e antidemocráticas. O ataque ao STF, na verdade, constitui flagrante desrespeito à Constituição Federal, à democracia e ao Estado de Direito”, diz a nota.

A manifestação diz ainda que, diante das crises sanitária e econômica causadas pelo pandemia do novo coronavírus, o País precisa de ‘instituições sólidas e do pleno funcionamento dos Poderes da República de forma harmônica e independente’.

“A OAB declara, mais uma vez, que a sociedade não pode aceitar ameaças ou atitudes que minam a democracia e usam métodos violentos para solução de conflitos. A solução está e sempre estará na Constituição Federal e na democracia”, finaliza o texto.

O ataque já é alvo de uma investigação preliminar autorizada pela Procuradoria-Geral da República. O movimento da PGR é resposta à solicitação do presidente do Supremo, Dias Toffoli, para que se identifiquem e responsabilizem os participantes e financiadores do ato.

A militante bolsonarista de extrema direita, Sara Winter, líder dos ‘300 do Brasil’, foi presa na manhã desta segunda, 15, pela Polícia Federal. Winter é alvo do inquérito que investiga a organização de atos antidemocráticos, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes. Há outros cinco mandados de prisão em cumprimento, todos contra lideranças do mesmo grupo. Segundo apurado pelo Estadão, os militantes são investigados por associação criminosa.

Sara Winter ao lado do presidente Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução/Instagram

Ex-feminista apoiadora do presidente, Sara Winter foi uma das organizadoras do acampamento pró-Bolsonaro desmontado por determinação do governo do Distrito Federal no último sábado. O grupo, que protestava repetidamente contra o Supremo e o Congresso, é suspeito de porte de arma.

Sara também é investigada no inquérito das fake news, que apura notícias falsas, calúnia, ofensas e ameaças dirigidas aos ministros do STF. Ela teve computador e celular apreendidos por determinação de Alexandre de Moraes, que conduz as investigações, a quem desafiou a ‘trocar socos’.

LEIA ABAIXO A ÍNTEGRA DA NOTA

Em repúdio aos ataques contra o STF, em defesa da democracia

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e o Colégio de Presidentes dos Conselhos Seccionais da OAB, reunidos nesta segunda (15/06), manifestam seu veemente repúdio ao ataque sofrido pelo Supremo Tribunal Federal na noite do último sábado.

A Ordem dos Advogados do Brasil possui o reconhecimento histórico de toda a sociedade pela sua posição de luta em defesa dos ideais democráticos e do que é essencial inclusive para o livre exercício profissional de cada um dos seus integrantes.

Assim, expressam, de igual modo, apoio aos ministros da Suprema Corte, que foram ofendidos publicamente nesse ato violento e criminoso.

São inaceitáveis manifestações violentas e antidemocráticas. O ataque ao STF, na verdade, constitui flagrante desrespeito à Constituição Federal, à democracia e ao Estado de Direito.

O nosso país, imerso em profunda crise sanitária e econômica, precisa, mais do que nunca, de instituições sólidas e do pleno funcionamento dos Poderes da República de forma harmônica e independente.

A OAB declara, mais uma vez, que a sociedade não pode aceitar ameaças ou atitudes que minam a democracia e usam métodos violentos para solução de conflitos. A solução está e sempre estará na Constituição Federal e na democracia.

 

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