OAB pede a Lewandowski acesso às mensagens hackeadas da Lava Jato

OAB pede a Lewandowski acesso às mensagens hackeadas da Lava Jato

Entidade apresentou pedido ao ministro para obter cópia das conversas da operação Spoofing que digam respeito às prerrogativas de advogados; Felipe Santa Cruz aponta que medida visa resguardar garantias constitucionais

Paulo Roberto Netto

09 de fevereiro de 2021 | 15h52

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu nesta terça, 9, ao ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), que conceda acesso a todas as mensagens da Operação Spoofing que digam respeito às prerrogativas de advogados. A reclamação foi protocolada após o conselho da entidade aprovar a medida nesta segunda.

Documento

Segundo o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, o acesso às mensagens visa resguardar garantias constitucionais e apurar possíveis violações de prorrogativas de advogados.

“Diante da importância e da magnitude da Operação Spoofing, tal como tem sido diuturnamente notificado na mídia brasileira, é nítido que autoridades públicas, que atuam na persecução penal e se utilizam de telefones pagos pelo contribuinte, devem absoluta transparência em todos os diálogos que envolvam o seu exercício profissional”, frisou.

Na segunda, o Conselho Federal da OAB discutiu entrar com a reclamação no STF para obter cópia das mensagens. A medida foi proposta pela conselheira do Distrito Federal Daniela Teixeira e foi aprovada por unanimidade.

O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz. Foto: Wilton Júnior / Estadão

O pedido de acesso às mensagens ocorre na esteira da liminar concedida por Lewandowski à defesa do ex-presidente Lula, que obteve cópia de diversas conversas entre a força-tarefa da Lava Jato e o então juiz Sérgio Moro. A troca de mensagens envolve temas que vão desde ‘sugestão de fonte’ contra o filho de Lula a pedidos de movimentação em processos envolvendo o petista.

Os advogados do ex-presidente pretendem usar as mensagens para reforçar as acusações de que Moro agiu com parcialidade e encarou Lula como ‘inimigo’ ao condená-lo a nove anos e meio de prisão no caso do tríplex do Guarujá.

Ainda nesta terça, a Segunda Turma do Supremo discute se valida a liminar de Lewandowski que garantiu acesso às mensagens.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.