OAB de São Paulo elege hoje seu novo presidente; saiba tudo o que os candidatos responderam em entrevista ao ‘Estadão’

OAB de São Paulo elege hoje seu novo presidente; saiba tudo o que os candidatos responderam em entrevista ao ‘Estadão’

Alfredo Scaff, Caio Augusto Silva dos Santos, Dora Cavalcanti, Mário de Oliveira Filho e Patrícia Vanzolini concorrem nas eleições da maior seccional do País

Rayssa Motta e Pedro Venceslau

25 de novembro de 2021 | 05h00

A sede da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil, no Centro de São Paulo. Foto: Reprodução/Facebook/OAB-SP

Os quatro candidatos de oposição na disputa pela presidência da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), Alfredo Scaff, Dora Cavalcanti, Mário de Oliveira Filho e Patrícia Vanzolini, participaram ontem de uma última entrevista simultânea, promovida pelo Estadão, antes da votação nesta quinta-feira, 25. O atual presidente da entidade em busca de um novo mandato, Caio Augusto Silva dos Santos, não compareceu e enviou justificativa ao jornal comunicando que tinha compromisso de campanha no interior do Estado.

Os candidatos foram perguntados sobre temas como a recente greve na seccional, prerrogativas da classe, transparência na gestão, Operação Lava Jato, paridade de gênero e cotas raciais nas chapas. Também apresentaram suas propostas caso sejam eleitos para o triênio 2022-2024.

A corrida pela direção da OAB-SP, a maior seccional da Ordem no País, ocorre em meio a uma atmosfera beligerante e tentativas dos candidatos de se desvincularem de associações político-partidárias que possam rachar sua base de votos.

“A OAB está tão contaminada pela política que esqueceu dos advogados”, defendeu  Alfredo Scaff, que é apoiado pelos deputados federais bolsonaristas Carla Zambelli (PSL-SP) e Coronel Tadeu (PSL-SP). “Nós não somos partido político. Nós somos uma instituição que tem que cuidar da advocacia, proteger e defender os colegas em toda e qualquer instância. E, quando a gente se manifestar nas questões nacionais, temos que nos manifestar com independência e a favor do País”, acrescentou. O posicionamento da OAB, na avaliação do advogado, deve ser através de ‘políticas de interesse da classe’.

Na mesma linha, o advogado Mário de Oliveira Filho defendeu na entrevista que a OAB não pode se transformar em ‘puxadinho político de partido’ e nem em ‘berço de ideologia de direita ou de esquerda’. “O partido da OAB é a advocacia e a ideologia da Ordem é a defesa intransigente do advogado”, disse. O criminalista, no entanto, avalia que a entidade, como voz da sociedade civil, deve se manifestar se houver ‘subversão da democracia’.

Candidatos de oposição participaram de entrevista simultânea promovida pelo Estadão na véspera da eleição. Foto: Reprodução

A candidata Dora Cavalcanti, que concorre em uma uma chapa totalmente feminina com a vice Lazara Carvalho, concorda que a OAB deve se posicionar em defesa da democracia, mas ‘sem política partidária’.

O entendimento é compartilhado pela adversária Patricia Vanzolini, para quem a Ordem tem a dupla função de defesa da Constituição e da classe. “A OAB tem que se posicionar, ela tem essa missão institucional, mas tem que se manifestar com sobriedade”, afirmou. “A OAB tem que ser mais sóbria, mais comedida, mais representativa, consultar a advocacia a respeito desses grandes temas e só atuar quando for de fato imprescindível para proteção de democracia”, seguiu.

A eleição deste ano é a primeira em que as chapas precisaram observar a paridade de gêneros e reservar 30% das vagas para advogados negros e pardos nas candidaturas. A OAB-SP nunca foi presidida por uma mulher – tanto Dora quanto Patricia são grandes defensoras da política.

“A política afirmativa racial, assim como a paridade de gênero, são conquistas para a OAB, são avanços. Infelizmente, dos vinte advogados já eleitos para presidir as seccionais, temos vinte homens”, lembrou Dora.

Patricia defende que as políticas inclusivas devem olhar ainda pessoas com deficiência, advogados LGBTQIA+ e a desigualdade de classe.”A questão da inclusão não deve se restringir à paridade de gênero e equidade racial, embora sejam pilares muito importantes”, disse.

Os candidatos também prometeram ampliar a transparência na gestão da seccional. Scaff disse que uma das suas bandeiras é colocar todas as despesas da OAB-SP disponíveis para consulta no Portal da Transparência da entidade. “A transparência não pode ser relativa”, afirmou.

Sem reajuste salarial há dois anos, os trabalhadores da seccional paulista entraram em greve nesta quarta, véspera da eleição. Mário de Oliveira Filho disse que montou uma comissão permanente para trabalhar junto ao sindicato dos funcionários da OAB-SP. “A greve é o reflexo de uma política administrativa inconsequente e irresponsável”, criticou.

Alfredo Scaff Filho, Caio Augusto Silva dos Santos, Dora Cavalcanti, Mário de Oliveira Filho e Patrícia Vanzolini disputam presidência da OAB-SP. Fotos: Divulgação

Assista a entrevista completa:

 

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