O voto do revisor

O voto do revisor

Leia o que disse o desembargador Leandro Paulsen durante o julgamento do ex-presidente Lula nesta quarta-feira, 24

Ricardo Brandt, enviado especial a Porto Alegre

24 Janeiro 2018 | 15h17

Leandro Paulsen. Foto: Sylvio Sirangelo/TRF4

O desembargador Leandro Paulsen, revisor da Operação Lava Jato no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, começou a ler seu voto no julgamento do ex-presidente Lula e de outros seis réus, no caso triplex, por volta das 15h desta quarta-feira, 24.

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VEJA O QUE DISSE O REVISOR DA LAVA JATO

“Tal qual ocorreu com o presidente americano Richard Nixon no caso Watergate cujas investigações se viabilizaram com a aplicação de leis que ampliaram as possibilidades de investigação criminal por ele próprio promulgadas agora vemos um presidente se deparar com acusações baseadas em leis que sobrevieram durante os governos de seu partido. Mas a lei é para todos.”

“O julgamento é realizado por juízes togados, com formação e experiência para atuar equidistância e imparcialidade e orientado pela estrita do Direito ao caso concreto, mediante criteriosa análise dos fatos. As práticas de compadrio, de barganha, de arregimentação de apoios e de ameaças de retaliações são estranhas ao ambiente judicial. E se houver, serão criminosas. A linguagem, a lógica, o encaminhamento, não são os do tráfico de influência, da camaradagem, do tapinha nas costas. Aqui, ninguém pode ser condenado por ter costas largas e ser absolvido por ter costas quentes.”

“O compromisso é com o cumprimento da Constituição e das leis da República Federativa do Brasil.”

Revisor diz que servidores devem agir com ‘espírito público’ e de modo íntegro: “Quando os outros interesses se sobrepõem não apenas o servidor se corrompe no sentido de se deteriorar moralmente, de se perverter, mas com ele também a administração se deteriora e se perverte. Torna-se ineficiente, desperdiça os recursos públicos, compromete seus serviços, não dá à população a contrapartida que lhe é devida, transforma-se num pária, fazendo pouco caso de seu papel, das expectativas e dos esforços de todos.o direito como instrumento de regulação social ocupa-se em inibir e reprimir o agir corrupto salvaguardando a sociedade.”

Sobre o recurso de Paulo Okamotto: “Nada de há injurioso que mereça censura.”

“O magistrado não se utilizou de nenhuma expressão injuriosa.”

“Julgar um presidente ou ex-presidente da República exige extrema convicção por parte do Ministério Público na denúncia e enorme responsabilidade para julga-lo, exige todos os cuidados por parte do Poder Judiciário.”

“Não apenas para que o contraditório e a ampla defesa sejam efetivamente observados, mas também para que a lei penal material possa ser aplicada com técnica e justiça, em sendo o caso.”

 

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