O ‘Visual Legal’ como ferramenta de gestão

O ‘Visual Legal’ como ferramenta de gestão

Jayme Barbosa Lima Netto e Fernando De Paula Torre*

20 de agosto de 2021 | 09h00

Fernando Torre e Jayme Lima Barbosa Netto. FOTO: DIVULGAÇÃO

Em uma sociedade cada vez mais conectada, a busca pela inovação passou a ser um elemento de sobrevivência para todos, sobretudo para empresas. Inovar não está necessariamente ligado à tecnologia, mas também não  está  dissociado dela.  Mas o que vem a ser inovação?

Inovar possui diversos significados, pois seu conceito relaciona-se diretamente com o resultado que se pretende. Inovar é fazer algo diferente, seja esta uma ação inusitada ou já existente, mas sempre com foco na otimização do resultado. A otimização de resultados é a razão de inovar.

A hype hoje é falar em design thinking, que pode ser entendido como forma de pensar, criar, transformar, modificar, dentre outros verbos cujo escopo final sempre será  o aprimoramento de resultados e a facilitação da vida das pessoas. Empresas com missão e valores bem definidos têm apostado nesta receita.

Um dos pilares da gestão empresarial é a comunicação eficiente entre stakeholders. Sabendo disso, através das técnicas de design thinking, definidas como diferentes formas de abordagem de situações e problemas para obtenção de soluções inovadoras, nasce o Visual Law, que hoje é amplamente debatido no mercado corporativo.

Aqui uma breve interrupção, para alertar o leitor que a intenção deste artigo não é discorrer sobre o Visual Law, enquanto técnica a ser empregada em petições e recursos judiciais que aumentam a compreensão e reduzem os valores dispendidos pelas empresas, mais sim explorar um pouco mais suas possibilidades e mostrar que o Visual Law pode ser uma poderosa ferramenta de gestão empresarial, pois ajuda na comunicação eficiente.

Com o advento da pandemia, milhares de empresas no mundo todo foram forçadas, do dia para noite, a dar continuidade às suas operações de forma remota, colocando seus colaboradores e funcionários para desempenharem suas funções em regime de home office. A gestão passou a ser feita à distância, sem que todos os gestores estivessem preparados para tanto.

Mas como isso foi possível? Talvez o verbo precise ser empregado no presente ou ao invés de no passado, pois os desafios apenas começaram. O mindset muda de tempos em tempos, sempre acompanhando as tendências modernas, mas que nunca deixam de escorar-se na comunicação eficiente.

Partindo da premissa que a comunicação é a espinha dorsal da gestão empresarial, como garantir o alcance, eficácia e eficiência da comunicação? Diariamente somos alvejados com centenas de informações textuais, mas quanto disso conseguimos absorver?

Vamos pensar na capacidade de aprendizado. Quando crianças estão em processo de alfabetização, a metodologia de ensino empregada muitas vezes passa pela associação de figuras e desenhos aos textos. Uma técnica relativamente simples, mas extremamente eficaz.

A simbologia como forma de comunicação já estava presente nos primórdios da história. Os Egípcios, acredita-se em 3.000 A.C, criaram os hieroglifos, que era um tipo de linguagem que utilizava figuras e  símbolos fazendo ligação com objetos ou ideias.  Nessa mesma linha vem os ideogramas chineses,  uma escrita pictórica, datada de 2.000 A.C. Será que os egípcios e chineses  já se preocupavam naquele tempo com a comunicação eficiente?

Milhões de anos no futuro até chegarmos ao presente, o desenvolvimento da comunicação eficiente passou a ser uma importante aliada da gestão empresarial.

Sabendo disso, as empresas que utilizam o Visual Law e as infinitas possibilidades gráficas, visuais e interativas que o cercam, fazem uso desta técnica como ferramenta auxiliar de gestão e largam na frente da concorrência. Uma poderosa ferramenta de gestão, possibilitando alcance mais amplo do que um simples e-mail ou mensagem textual por qualquer canal, que ganha a atenção e foco do interlocutor final.

Exemplifiquemos! Pensemos em uma empresa atacadista que firma diversos contratos de fornecimento com centenas de empresas varejistas. Como o gestor responsável pelo departamento de compras garantirá que um analista lerá e verificará se todas as cláusulas do contrato de fornecimento foram respeitadas, bem como todos os documentos foram checados, conferidos e adequados às diferentes legislações que cercam o tema? Realmente a tarefa não parece nada fácil.

Todos os contratos detêm cláusulas extremamente importantes e outras nem tanto. A partir daí, porque não destacar o que é importante através de um gráfico, bullet points ou até mesmo fazer uso de um vídeo de 30 segundos?

O distanciamento imposto pela pandemia da Covid-19 intensificou a necessidade de uma comunicação eficiente, pautada na simplicidade, agilidade e que busque  enfocar o que realmente é importante. Essa é a ideia do Visual Law, também chamado de Visual Legal, como ferramenta de gestão.

Com o advento da Lei 13.709 de 14 de agosto de 2018 – Lei Geral de Proteção de Dados, o tratamento de dados pessoais, sejam sensíveis ou não, passaram a ser a palavra de ordem. Não pelo fato que a LGPD prevê aplicação de sanções, mas sim porque a legislação visa facilitar o tráfego de dados de maneira segura e eficiente.

Os dados dos usuários transitam em milhões de bancos de dados e são operados por diversas pessoas, sobretudo, por profissionais de empresas data driven. Nasce daí a necessidade destas de afinar e garantir que a comunicação acerca do correto tratamento de dados, seja realizada de forma correta, eficiente e em conformidade com a LGPD. Um gestor tradicional poderia redigir um longo e-mail com explicações acerca do que pode ou não ser feito, mas um gestor inovador poderia lançar uso do Visual Legal criando um storytelling que conte o passo a passo da lei.

Considerando que somos alvejados com milhares de informações diariamente, e não retemos boa parte delas, seja pela estafa mental ou pela dificuldade em focar no que é importante, utilizar a técnica do legal design trará ganhos expressivos. Portanto, investir na comunicação é investir na gestão.

*Jayme Barbosa Lima Netto e Fernando De Paula Torre são sócios da LBCA – Lee Brock Camargo Advogados

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