O tsunami chinês atingirá Brasil e EUA

O tsunami chinês atingirá Brasil e EUA

Leonardo Freitas*

26 de setembro de 2021 | 05h55

Leonardo Freitas. FOTO: DIVULGAÇÃO

O Evergrande nunca foi tão gigante como o próprio nome se auto-denomina. São nos momentos de profundas crises que temos a real dimensão do poderio comercial de um determinado negócio. Talvez este seja o mal do capitalismo; quando estamos bem não conseguimos saber com exatidão o tamanho da nossa importância. Esta consciência é para poucos; isso é fato. Quando a crise assola, vemos o quão desesperador torna-se uma determinada realidade num ‘business”. Imagine então esta situação em tamanho continental.

Talvez seja por esse motivo que o presidente americano Joe Biden discursou de maneira mais amena durante a Conferência da ONU no início desta semana. O trato dele foi de uma relação de competidor e não de um tremendo inimigo. Foi uma mensagem muito diferente daquilo que ele mesmo apregoava há 15 dias por todas as direções na Casa Branca em Washington, DC. Estaria ele com medo das consequências desta crise chinesa que se avizinha do outro lado do mundo?

A capital Beijing já se pronunciou; não fará qualquer aporte junto a Evergrande, que é a segunda maior incorporadora imobiliária da China. Ironia ou não; o lado mais radical comunista chinês está neste momento experimentando o remédio amargo de um mundo democrático e capitalista. Isso me prova como ‘expert’ em mobilidade global que o universo dos negócios independe do regime de governo de um determinado país.

A globalização é um fato e transpassa qualquer tipo de fronteira e ideologia. Assim como nos Estados Unidos, o Brasil também sofrerá com a queda deste império empresarial. Ambos os países estão imersos comercialmente com os chineses; e são clientes fiéis em muitos setores com a China como: tecnologia e agronegócio.

Uma quebradeira como esta afetará os contratos já firmados por todas as nações com os asiáticos. Eu particularmente, detesto fazer o papel de ‘Cavaleiro do Apocalipse’, porém é importante promovermos esta análise para justamente entendermos que diversificar os negócios são palavras de ordem em qualquer tipo de projeto empresarial independentemente do tamanho.

A comparação de um tsunami é inevitável; pois a natureza nos ensina em muitas ações na vida. É preciso respeitar piamente os mercados, pois existem muitas forças invisíveis que induzem a macroeconomia se autorregular; e que por sua vez transpõem as nossas vontades pessoais como empresário e empreendedor. Devemos entender estes movimentos da natureza e trafegarmos com confiança em nossas naus conforme as condições destes: tempo, pressão, temperatura e direção do vento.

Precisamos ainda acreditar na China como mercado promissor; da mesma maneira como apostamos nos Estados Unidos durante as duas maiores crises de 1929 e durante a recessão de 2008. Se cabe uma dica de mestre; prepare o seu caixa, pois este talvez seja o momento para investir na China nos próximos meses se evidentemente Evergrande nos permitir. Eu já estou com o mapa sísmico da Ásia nas mãos; e você?

*Leonardo Freitas é CEO da HAYMAN-WOODWARD

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