O Superman retira um terno antes de voar

O Superman retira um terno antes de voar

Cassio Grinberg*

02 de maio de 2022 | 04h00

Cassio Grinberg. FOTO: DIVULGAÇÃO

É o que nos lembra o Coldplay, na música “Something just like this”, mas eles não cantam — e nem tampouco estou escrevendo isso — para que as pessoas sejam super-heróis.

O Superman troca um terno por uma capa, mas não se trata de uma visão “contemporânea” na qual, para ter sucesso , as pessoas precisariam despir o terno. Você se engana se acha que alguém de terno não pode voar.

Podemos voar de terno, de vestido, de jeans, nus, de camiseta, de camisola, e a música nos insinua algo que na verdade sabemos: para voar, precisamos estar leves. E, paradoxalmente, estarmos leves não necessariamente tem a ver com nosso peso. Mas sim com o amor — às vezes ordenado, às vezes caótico — que sentimos por voar. E ao voar.

Do ponto de vista empresarial, quando falamos em agilidade, geralmente nos valemos da história de Golias e Davi. Uma gigante é um Golias pesado, uma startup é um Davi veloz, mas na prática, nem sempre funciona assim: assim como, se empurrado pela potência, um Jumbo pode voar mais leve que um monomotor, não podemos correr o risco de não nos impulsionarmos quando estamos cansados.

Coldplay, na música, nos sugere que voar pode ser simplesmente preferir uma realidade imperfeita a uma felicidade de conto de fadas, desde que, nessa imperfeição, tenhamos alguém a quem possamos recorrer, e alguém que possamos beijar.

O Superman voa com um propósito, esta é uma diferença, mas ele voa mesmo veloz quando precisa, como canta Gil, mudar como um deus o curso da história por causa da mulher.

*Cassio Grinberg, sócio da Grinberg Consulting e autor do livro Desaprenda – como se abrir para o novo pode nos levar mais longe

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