‘O sonho acabou’, dizem manifestantes à espera de Dirceu

‘O sonho acabou’, dizem manifestantes à espera de Dirceu

Cerca de 50 pessoas se aglomeram à porta da Polícia Federal em Curitiba, sede da Lava Jato, enquanto aguardam, com fogos de artifícios, o ex-ministro da Casa Civil, preso na Operação Pixuleco por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro

Redação

04 de agosto de 2015 | 17h18

Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

Cerca de 50 pessoas aguardam a chegada do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil/Governo Lula) em frente à sede da Polícia Federal em Curitiba, com fogos de artifício e bandeiras do Brasil. Alvo da Operação Pixuleco – 17.º capítulo da Lava Jato -, Dirceu foi preso nesta segunda-feira, 3, em Brasília.

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Foto: Ricardo Brandt/Estadão

O ministro Luís Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a transferência de Dirceu para Curitiba, base da Lava Jato.

“O sonho acabou”, diz uma faixa estendida pelos manifestantes que esperam o ex-ministro, cuja chegada ao aeroporto de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, está prevista para as 17h30.

Foto: Ricardo Brandt/Estadão

Foto: Ricardo Brandt/Estadão

“Ratos, ladrões do dinheiro público. Limpeza Brasil”, diz outra faixa.

Em cartazes, o grupo de pessoas declara apoio ao juiz Sérgio Moro, que conduz todas as ações penais da Lava Jato, e à Polícia Federal. “Grande juiz Sérgio Moro, Polícia Federal, nosso apoio e solidariedade na caça aos corruptos.”

VEJA A CHEGADA DA VIATURA COM O EX-MINISTRO DA CASA CIVIL

 

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA ROBERTO PODVAL, QUE DEFENDE JOSÉ DIRCEU

NOTA À IMPRENSA

“NÃO HÁ RAZÃO JURÍDICA PARA PRENDER DIRCEU”, AFIRMA PODVAL

A defesa de José Dirceu classifica como desnecessária e sem fundamento jurídico a prisão preventiva do ex-ministro, decretada pela Justiça Federal do Paraná nesta segunda-feira (3), e afirma que irá recorrer da decisão nos próximos dias.

Segundo o advogado Roberto Podval, o ex-ministro cumpre prisão domiciliar e já havia se colocado à disposição da Justiça por diversas vezes para prestar depoimento e esclarecer o trabalho de consultoria prestado às construtoras sob investigação.

“Como já havíamos argumentado no habeas corpus preventivo, José Dirceu não se enquadra em nenhuma das três condições jurídicas necessárias para a decretação de uma prisão preventiva: ele não apresenta risco de fuga, não tem como obstruir o trabalho da Justiça nem tampouco é capaz de manter qualquer suposta atividade criminosa”, afirma. “Mesmo sem entrar no mérito apresentado pelo Ministério Público para justificar a prisão, o argumento da Procuradoria de que Dirceu teria cometido crime desde a época em que era ministro da Casa Civil até o período de sua prisão pela Ação Penal 470 também não tem fundamento porque, hoje, as atividades da JD Assessoria e Consultoria foram encerradas no ano passado e o meu cliente não tem qualquer contato ou recebeu qualquer recurso do delator Milton Pascowitch.”

Roberto Podval alerta para o cálculo equivocado apresentado pela Polícia Federal sobre os supostos recebimentos ilícitos por meio da JDA. Na coletiva pela manhã, o delegado Márcio Anselmo afirmou que o montante chegaria a R$ 39 milhões. “Esse é o total faturado pela empresa em 8 anos de atividade, quando atendeu a cerca de 60 clientes de quase 20 setores diferentes da economia”, diz Podval. “Não há qualquer razoabilidade imaginar que os pagamentos de multinacionais de diversos setores da indústria teriam relação com o suposto esquema criminoso na Petrobras.”

Desde 2006, a JDA foi contratada por empresas como a Ambev, Hypermarcas, Grupo ABC, Telefonica, EMS, além dos empresários Carlos Slim e Gustavo Cisneros. Todos, quando procurados pela imprensa, confirmaram a contratação do ex-ministro para orientação de negócios no exterior ou consultoria política.

“Querem apontar a JDA como uma empresa de fachada, o que é muito inconsistente”, completa Roberto Podval. “O ex-ministro sempre teve profundo reconhecimento internacional e desenvolveu importantes laços de relacionamento com destacadas figuras públicas ao longo de toda sua trajetória e militância política. Esse era o ativo e o valor de José Dirceu como consultor, sem que nunca fosse exigido dele, por parte dos clientes, o envio de relatórios ou qualquer outro tipo de comprovação dos serviços prestados.”

A defesa do ex-ministro reitera que o trabalho de consultoria nunca teve qualquer relação com contratos da Petrobras e que Dirceu sempre trabalhou para ajudar as construtoras na abertura de novos negócios no exterior, em especial em países como Peru, Cuba, Venezuela e Portugal.

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