‘O senhor está fantasiando’, reage Moro a senador petista

‘O senhor está fantasiando’, reage Moro a senador petista

Ministro da Justiça exaltou-se com pergunta de Rogério Carvalho (PT/SE) sobre suposto midia traning que teria feito por R$ 180 mil para depor na Comissão de Constituição e Justiça da Senado, nesta quarta, 19

Pepita Ortega e Fausto Macedo

19 de junho de 2019 | 12h02

Moro na CCJ. Foto: Geraldo Magela / Agência Senado

O ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) reagiu com indignação a uma indagação do senador Rogério Carvalho (PT/SE) durante seu depoimento na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, nesta quarta, 19, sobre mensagens do aplicativo Telegram – nas quais, o ministro e procuradores da Lava Jato teriam ajustado passos da operação.

Carvalho disse que Moro fez media traning para ir ao Senado, ao custo de R$ 180 mil.

“Essa história é uma loucura, o senhor está fantasiando, desculpe. O único auxílio que tive foi da minha Assessoria de Comunicação do Ministério. Eu não preciso de media traning para vir aqui falar a verdade.”

Moro foi taxativo. “São falsas essas afirmações que o senhor está fazendo.”

O ministro argumentou a Carvalho que ele fez ‘acusações graves’ ao Tribunal Regional Federal da 4.ª Região na questão sobre a pena aplicada a Lula no processo do triplex do Guarujá – ele, Moro, impôs 9 anos e seis meses de prisão ao petista, a Corte ampliou a punição para 12 anos e um mês e mandou prender o ex-presidente.

“O senhor está de novo fantasiando”, afirmou o ministro. “Talvez o senhor tenha lido esses blogs fantasiosos e tirado conclusões precipitadas. Sugiro ao senhor que se informe em melhores bases para fazer esse tipo de afirmação.”

Moro reiterou que ‘nunca conversou sobre dosimetria de penas’ com desembargadores do TRF-4.

“Se o Tribunal aumentou a pena do ex presidente Lula não tive nenhuma interferência. Zero interferência. Não faria isso, seria até desrespeitoso com o Tribunal.”

“Acho que o senhor está absolutamente equivocado. São acusações graves a membros dos Tribunais.”
O senador acusou Moro de ‘estar colocando palavras em sua boca’. “Vamos ver os fatos daqui para a frente.”

Na réplica, o senador incluiu pergunta sobre a mulher de Moro, a advogada Rosângela. “Sua esposa foi advogada de empresas do setor petrolífero? Sua esposa trabalhou para empresas que fizeram acordo de delação? Não estou acusando, estou lhe perguntando. Com o treinamento que fez, o senhor tentou inverter. Quem acusou sem provas o presidente Lula foi o senhor.”

“Bem, senador, sobre o treinamento inexistente eu não fiz”, insistiu o ministro.

Moro desafiou o senador a ‘apresentar os elementos inexistentes’.

Ele disse que sempre foi alvo de ‘difamações, algumas vezes de fake news’.

“Já falaram que minha mulher advogava para a Shell e que eu era agente disfarçado da CIA. São todas fantasias. Objetivamente, não. Minha esposa nunca advogou para empresas petrolíferas, jamais.”

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