O rombo no BNDES com as obras no exterior – parte 4

Jonas Gomes da Silva*

25 de julho de 2017 | 10h00

O artigo aborda sobre 59 obras financiadas pelo BNDES no exterior, cujo valor de cada contrato ultrapassou US$ 100.000.000,000 milhões e que estão sob responsabilidade de cinco empreiteiras que subtraíram a Petrobrás.

Entre 1998 e 2016, do total de 91 obras financiadas pelo BNDES para serem construídas no exterior, maioria (59=65%) ultrapassou o valor de US$ 100 milhõess (R$ 325.080.000,000 milhões). Os dados estão sendo coletados desde 2015 e foram obtidos por meio: a) da Planilha “Contratações referentes a desembolsos no apoio à exportação pelo BNDES Pós Embarque (Contratações entre 1998 e 2014)”; b) do Relatório de Auditoria do TCU, realizada no BNDES e apresentado em 2016 (Doc. AC-1413-19/16-P, contratações entre 2005 e 2014); c) do Relatório do IPEA publicado em 2017 (Financiamento do BNDES para Obras e Serviços de Empresas, período de 2002 a 2016) d) MPF; e) Estadão, Globo, Folha, Valor Econômico, Época, Congresso em Foco; f) SPOTINIKS.

A partir desses empreendimentos, buscamos saber quais empresas receberam recursos, os países beneficiados, qual a posição desses países no ranking global de corrupção, qual o valor total das obras e qual o valor total estimado em propinas, adotando 3 cenários: O Otimista usando 1% sobre o valor do contrato (assumindo que apenas o PT tenha praticado o ato), o Realista com 5% (PT+PMDB+Outros) e o Pessimista com 10%, assumindo que agentes corruptos dos países sede da obra também subtraíram recursos. Os valores foram fixados a partir dos relatos de delatores da Lava a Jato como os executivos da Andrade Gutierrez (AG), Odebrecht (Od) e JBS.

Ao todo, US$ 19.027.169.903,00 Bilhões foram destinados para 59 obras sob responsabilidade de apenas cinco empreiteiras:

+ O rombo no BNDES com as obras no exterior

+ O rombo no BNDES com as obras no exterior – parte 2

+ O rombo no BNDES com as obras no exterior – parte 3

1o) Odebrecht, líder do cartel, ficou com maioria (61%) das Obras, 36 empreendimentos que representam um total de financiamento na ordem de US$ 14.458.707.306,00 Bilhões (R$ 47.002.365.710,34 Bilhões); 2o ) Andrade Gutierrez ficou com 5 obras (8,5%) que totalizam US$ 2.258.475.137,00 Bilhões (R$ 7.341.850.975,36 Bilhões); 3o) Queiroz Galvão com 5 obras (8,5%) que totalizam US$ 1.077.490.453,00 Bilhões (R$ 3.502.705.964,61) Bilhões; 4o) OAS com 3 obras (5%) que totalizam perto de US$ 745.022.672,000 Milhões (R$ 2.421.919.702,14 Bilhões); e 5o) Camargo Correa com 2 obras (3,4%) que somam US$ 487.474.335,00 Bilhões (R$ 1.584.681.568,22 Bilhões).

Em relação aos países, identificamos não somente o destino dos recursos como também a classificação desses países no ranking global de corrupção, adotando o Índice de Percepção da Corrupção (IPC, 2016) da ONG International Transparency. O Quadro abaixo mostra os países, o valor total de financiamento e o Ranking do IPC, quanto maior for o ranking, maior é a percepção da população sobre a corrupção naquela localidade. Apenas para efeito comparativo, em 2016, o Brasil ficou na posição número 79 dentre 176 países analisados. E ao todo, 15 países foram os destinos desses financiamentos, sendo que na maioria deles (12 países=80%) sua população tem percepção da corrupção bem pior do que a do Brasil.

Bem, aplicando os cenários sugeridos, há a possibilidade de ter sido desviado em valores totais dessas 59 obras: No Cenário Otimista = R$ 618.535.239,21 Milhões; No Cenário Realista = Desvio de R$ 3.092.676.196,03 Bilhões; e no Cenário Pessimista = Desvio de R$ 6.185.352.392,07 Bilhões.

Finalmente, convido o(a) nobre leitor(a) a também checar os números e a questionar o PT, o PMDB, o Guido Mantega, o Luciano Coutinho e o BNDES sobre: a) sigilosidade desses contratos; b) O favorecimento de empreiteiras que subtraíram a Petrobras; c) e os motivos pelos quais priorizaram países com alto nível de corrupção.

*Dr. Em Eng. de Produção e Prof. da UFAM. Foi pesquisador no Japão apoiado pelo Governo Japonês entre 1997 e 2003. E-mail: gomesjonas@hotmail.com

COM A PALAVRA, A ENGEVIX

Em relação ao artigo “Entenda o rombo no BNDES por financiar obras no exterior – parte 4”, de autoria de Jonas Gomes da Silva, publicado dia 25/07 na edição on-line do Estadão, a Engevix informa que nunca obteve qualquer financiamento externo do BNDES”.

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