O rombo no BNDES com as obras no exterior – parte 3

Jonas Gomes da Silva*

23 Julho 2017 | 10h00

O artigo aborda sobre o valor total de 91 obras financiadas pelo BNDES no exterior, bem como suposto valor total estimado em propinas, adotando 3 cenários: O Otimista usando 1% sobre o valor do contrato (assumindo que apenas o PT tenha praticado o ato), o Realista com 5% (PT+PMDB+Outros) e o Pessimista com 10%, assumindo que agentes corruptos dos países sede da obra também subtraíram recursos. Os valores foram fixados a partir dos relatos de delatores da Lava a Jato como os executivos da Andrade Gutierrez (AG), Odebrecht (Od) e JBS.

Os dados estão sendo coletados desde 2015 e foram obtidos por meio: a) da Planilha “Contratações referentes a desembolsos no apoio à exportação pelo BNDES Pós Embarque (Contratações entre 1998 e 2014)”; b) do Relatório de Auditoria do TCU, realizada no BNDES e apresentado em 2016 (Doc. AC-1413-19/16-P, contratações entre 2005 e 2014); c) do Relatório do IPEA publicado em 2017 (Financiamento do BNDES para Obras e Serviços de Empresas, período de 2002 a 2016) d) MPF; e) Estadão, Globo, Folha, Valor Econômico, Época, Congresso em Foco; f) SPOTINIKS.

Para o estudo, focamos apenas os empreendimentos sob responsabilidade de empreiteiras que formaram o cartel que subtraiu a Petrobras. Ao analisar essas fontes, identificamos dados de 91 empreendimentos, cujo valor total destinado para a construção delas seria de US$ 20.668.963.327,00 bilhões, ou R$ 77.301.922.842,98 Bilhões (US$ 1=R$ 3,74), sem levar em conta os juros, a inflação do período (1998 a 2016) e aditivos sobre essas obras.

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+ O rombo no BNDES com as obras no exterior – parte 2

O menor valor encontrado foi de US$ 13.872.000 Milhões, referente a construção em Angola da Estrada Viana/Kikuxi pela Odebrecht. Por outro lado, o maior valor foi de U$$ 1,5 Bilhão, referente ao Soterramento do FerroCarril Sarmiento na Argentina sob responsabilidade também da Odebrecht. O valor médio de cada obra ficou em torno de R$ 849.471.679,59 Milhões, enquanto que a mediana seria de R$ 512.269.322,18 Milhões, ou seja, 50% dos contratos atingiriam essa cifra e outros 50% seriam acima deste valor. Vale ressaltar que foram encontrados 59 empreendimentos acima de US$ 100 milhões (R$ 374 Milhões) e 32 obras abaixo desse valor.

Bem, aplicando os cenários sugeridos, há a possibilidade de ter sido desviado em valores totais dessas 91 obras: No Cenário Pessimista = R$ 773.019.228,43; No Cenário Realista = Desvio de R$ 3.865.096.142,15 Bilhões; e no Cenário Pessimista = Desvio de R$ 7.730.192.284,30 Bilhões.

Por limitação do espaço, apresento abaixo os 20 Empreendimentos mais caros, sendo que no próximo artigo focaremos sobre o perfil dos empreendimentos cujo valor ultrapassou US$ 100.000.000,000 milhões, pois são os alvos em potencial daqueles que em vez de servir a nação, se utilizaram do Estado para enriquecer ilicitamente e permanecer no poder.

Finalmente, convido o(a) nobre leitor(a) a também checar os números e fazer suas estimativas. Aí vai uma dica, acessem parte do Relatório da Auditoria do TCU.

*Dr. Em Eng. de Produção e Prof. da UFAM. Foi pesquisador no Japão apoiado pelo Governo Japonês entre 1997 e 2003. E-mail: gomesjonas@hotmail.com

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