O rombo de R$ 200 milhões no Maracanã, segundo a auditoria de Contas

O rombo de R$ 200 milhões no Maracanã, segundo a auditoria de Contas

Cobertura do estádio que precisou ser refeita por R$ 274 milhões

Julia Affonso, Luiz Vassallo e Fausto Macedo

13 Março 2017 | 12h26

 

Maracanã. Foto: Fábio Motta/Estadão

Maracanã. Foto: Fábio Motta/Estadão

Relatório do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro apontou irregularidades nas obras do estádio do Maracanã. Uma delas foi a da cobertura do estádio que precisou ser refeita por R$ 274 milhões.

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Outro resultado da falta de especificações do projeto básico foi o aumento de 1.257% no custo dos sistemas de ar condicionado e ventilação do estádio. Orçado em quase R$ 1,5 milhão, o gasto com os equipamentos chegou a R$ 18,5 milhões. Além disso, o MPRJ encontrou indícios de duplicidade de mão de obra na planilha orçamentária.

Por conta das alterações durante a obra, foram formalizados 16 termos aditivos, o que elevou o orçamento inicialmente projetado. Assim, o valor da proposta vencedora, cerca de R$ 705 milhões, saltou para quase R$ 932 milhões, ainda no bojo do projeto executivo, e R$ 1,2 bilhão ao final da obra.

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro informou que em 7 de março determinou o arresto (retenção) dos recursos obtidos com a venda, em andamento, da concessão do Maracanã (Estádio Mário Filho) pela atual concessionária, Complexo Maracanã Entretenimento S/A, composta pela Odebrecht e pela AEG.

A Corte de Contas decidiu ainda realizar, em caráter de urgência, duas auditorias governamentais extraordinárias. A primeira, para inspecionar os cálculos que embasaram os valores e a viabilidade da primeira negociação; e a segunda, para monitorar a operação de transferência do bloco de controle da atual concessão a terceiros. A medida será concomitante à decisão judicial que determinou a retomada imediata da gestão do Maracanã e do Maracanãzinho (Ginásio Gilberto Cardoso). O voto aprovado foi relatado pelo conselheiro José Gomes Graciosa durante sessão plenária nesta terça-feira, 7 de março. O objetivo é ‘preservar um patrimônio público, estancando o processo de degradação do estádio’.