O risco Brasil e a globalização dos investimentos

O risco Brasil e a globalização dos investimentos

Marcelo Cabral*

27 de março de 2021 | 04h00

Marcelo Cabral. FOTO: DIVULGAÇÃO

O mau desempenho da economia brasileira em 2020 não surpreendeu ninguém. O que mais assusta, porém, não é o olhar no retrovisor, mas as projeções para o futuro. Medidas de restrição à atividade econômica, deterioração das contas públicas, desvalorização da moeda, paralisação da agenda de reformas e incerteza jurídica comprometem as expectativas para os ativos brasileiros. Enquanto outras nações estão a caminho da normalização pós-pandemia e em franca recuperação econômica, no país voltamos a ouvir um termo bastante usual em tempos de crise: risco Brasil.

Apesar do talento e do esforço de empreendedores e trabalhadores, os desafios se acumulam e as dificuldades econômicas são agravadas pela incerteza política. Diante de problemas estruturais e complexos, seria ingênuo apostar em uma reversão de cenário no curto prazo. Isso penaliza fortemente o investidor. Condicionado a aplicar a totalidade de seus recursos no mercado interno e sem diversificação internacional, o brasileiro típico encontra-se completamente exposto e vulnerável.

Diante da fragilidade da conjuntura nacional, cabe a pergunta: por que a poupança dos brasileiros está tão concentrada no mercado doméstico? Afinal, o mercado externo é mais seguro, mais rentável e oferece mais oportunidades.

Durante décadas, as taxas de juros no Brasil foram elevadíssimas. Bastava aplicar em títulos de renda fixa para receber ótimos rendimentos. Com a carteira em “piloto automático”, havia pouco incentivo para procurar alternativas. Além disso, a regulamentação era restritiva. Investir no exterior era caro e difícil. O acesso ao mercado internacional estava limitado a uma pequena elite de investidores profissionais ou aos detentores de grandes fortunas.

Quando as incertezas se acumulam e a volatilidade aumenta, investidores precisam estar atentos. Não basta aplicar em renda fixa – que nem sequer tem superado a inflação – ou correr para a bolsa com uma visão especulativa. Felizmente, ficou mais fácil investir no exterior.

Em busca de melhor rentabilidade e proteção em moeda forte, um número cada vez maior de brasileiros possui contas de investimento no exterior. Esse novo paradigma representa uma evolução natural e positiva do mercado. Após globalizarem o consumo, lazer e estilo de vida, os brasileiros estão rapidamente globalizando seus investimentos. Afinal, as oportunidades do mercado internacional são atrativas demais para serem ignoradas, e investir em moeda forte é a melhor forma de neutralizar o risco Brasil.

*Marcelo Cabral, gestor de investimentos internacionais e fundador da Stratton Capital

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