O rei está nu?

O rei está nu?

Oriovisto Guimarães*

22 de agosto de 2020 | 09h00

Oriovisto Guimarães. FOTO: DIVULGAÇÃO

A vaidade, a paixão e o extremismo costumam provocar cegueira intelectual.

Hans Christian Andersen, em seu conhecido conto, nos mostra como um imperador e toda sua corte ficaram cegos pela vaidade de se mostrarem inteligentes e sábios.

No conto de Andersen, o imperador desfilava com roupas feitas de um tecido que só as pessoas inteligentes podiam enxergar. Todos elogiavam e aplaudiam a beleza das roupas até que um puro e inocente garoto exclamou: “Olhem, o rei está nu!”. A partir daí, revelou-se o escândalo.

A história da humanidade é pródiga em nos mostrar exemplos reais desse conto. Hitler, Mussolini, Stálin, Hugo Chaves e centenas de outros líderes foram capazes de insuflar sentimentos menores em seus seguidores e torná-los cegos, que obedeciam ao líder como se fossem acéfalos.

Quanto menos culto e educado, mais facilmente um povo pode ser enganado por falsos líderes, oportunistas, que se valem de cargos conquistados com o voto dos enganados para se locupletarem em proveito próprio.

Com o tempo, os inocentes garotos começam a gritar: “O rei está nu!”, e os olhos dos incautos e despreparados seguidores vão se abrindo.  Cai o enganador de plantão e surge outro, numa sequência que parece não ter fim.

Foi por isto que Rui Barbosa, já em 1914, escreveu: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

O povo brasileiro, ao longo de sua história, muitas vezes, já foi usado e enganado. Infelizmente, creio que novas decepções estão a caminho. Lá no horizonte, vejo e ouço garotos inocentes acenando e gritando: “O rei está nu!”.

Como eleitores, já erramos e poderemos errar novamente, só não podemos perder a fé em nossa capacidade de aprender e de sonhar com um Brasil governado por homens éticos, que sejam capazes de colocar os interesses da nação acima de seus interesses pessoais.

Na dura escola da vida, existe uma regra imutável: ou aprendemos com nossos erros ou continuaremos a sofrer.

*Oriovisto Guimarães, senador (Podemos-PR)

Tudo o que sabemos sobre:

Artigo

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: