O reconhecimento facial vai muito além de identificar rostos na multidão

O reconhecimento facial vai muito além de identificar rostos na multidão

Arthur Gonçalves*

27 de agosto de 2021 | 04h00

Arthur Gonçalves. FOTO: DIVULGAÇÃO

Acompanhamos recentemente as Olimpíadas de Tóquio e chegaram as Paralimpíadas. Em eventos como esses, é natural que a atenção principal esteja nos atletas, suas performances e os momentos incríveis de superação.

Mas você já parou para pensar no que acontece nos bastidores? São enormes os desafios operacionais. Garantir a segurança dos atletas, público e população é um fator primordial para o sucesso de eventos desta escala, inclusive em um mundo sem pandemia. A Covid-19 apenas adiciona uma grande camada de preocupação e estresse organizacional em qualquer acontecimento.

Este ano, mesmo sem o público que é esperado em um evento como os jogos olímpicos, pessoas de todo o mundo viajaram até o Japão – cerca de 90 mil entre atletas, equipes técnicas, jornalistas e comitês olímpicos de países participantes.

O mundo vai superar o coronavírus e, muito em breve, acontecem a Copa do Mundo do Qatar (2022), e as Olimpíadas de Paris, na França (2024). E não é exagero dizer que aprendemos que atenção e vigilância contra riscos de diversas naturezas nunca é demais. A boa notícia é que, cada vez mais, a tecnologia tem sido forte aliada da gestão pública, viabilizando mecanismos de controle à altura das necessidades existentes, com rápida implementação e ganho de escala.

Um bom exemplo disso é a tecnologia de reconhecimento facial, que cada vez mais torna-se pauta de grandes debates do setor. Voltemos ao recente caso de Tóquio. Uma joint venture entre grandes fabricantes mundiais possibilitou a instalação de estações de monitoramento facial em pontos estratégicos como aeroportos e grandes centros. A ação também conectou as câmeras de segurança já presentes pelo país para viabilizar o projeto.

Mas quando falamos de reconhecimento facial, não estamos nos referindo somente à segurança pública, ou àquela imagem já bastante explorada de uma multidão na qual rostos são centralizados por uma espécie de “radar”. Em Tóquio, por exemplo, foi possível verificar as identidades dos milhares de participantes que fizeram os jogos acontecerem. Além disso, esses softwares são capazes de identificar formação de filas, risco de aglomerações e até se está havendo ou não uso de máscaras.

Isso permite uma orientação muito mais assertiva dos agentes de segurança, voluntários envolvidos e gera importantes dados em tempo real que embasam tomadas de decisões e ações imediatas preventivas e reativas.

Aqui no Brasil, isso já é uma realidade.

Uma parceria entre o Ministério da Infraestrutura e o Serpro – Serviço Federal de Processamento de Dados, começa a implantar agora o projeto Embarque+Seguro, cuja etapa piloto já permite o embarque por meio de reconhecimento facial biométrico.

Com isso, estamos próximos de não precisarmos mais da apresentação do documento de identificação dos passageiros.

É claro que novas tecnologias, como essa, preocupa uma parcela dos cidadãos. Mas essas iniciativas só podem ser implementadas se estiverem em acordo com a Lei Geral de Proteção de Dados. Independentemente da tecnologia utilizada, elas precisarão ter a capacidade de anonimizar os dados de cada usuário, e seguir todas as demais regulamentações de privacidade previstas na lei.

*Arthur Gonçalves, CEO da Asper Tecnologia

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