O ranking da vergonha

O ranking da vergonha

Raquel Kobashi Gallinati*

10 de outubro de 2019 | 14h00

Raquel Kobashi Gallinati, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo. Foto: Assessoria de Imprensa / Divulgação

O ranking salarial da Polícia Civil, feito pelo Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (SINDPESP) com base em dados oficiais fornecidos pelos governos estaduais, revelou que o estado paulista paga o segundo pior salário do Brasil para as carreiras da Polícia Judiciária. Apesar de ser o ente mais rico da federação, São Paulo não remunera de forma justa os seus policiais civis.

A análise dos dados mostrados pelo ranking deixou claro que valorizar a carreira policial não é uma decisão meramente econômica, mas essencialmente política. Os estados mais bem posicionados no ranking não estão, necessariamente, entre os mais ricos do Brasil. E o estado que concentra a maior parte da riqueza paga um salário vergonhoso aos policiais.

Essa visão já estava clara para quem atua na Polícia Civil. Há mais de 20 anos, após sucessivas gestões do PSDB, não se investe de forma adequada em segurança pública.

O resultado é o caos que vivemos hoje: defasagem de mais de 30% no efetivo, delegacias caindo aos pedaços, falta de equipamentos de segurança e um índice crescente e alarmante de suicídios e afastamentos por depressão e esgotamento.

Quem sofre com isso não são apenas os policiais, mas toda a população que, além de não ter o atendimento que merece, fica à mercê da criminalidade. Não custa lembrar, mas a segurança pública compõe o tripé dos direitos sociais.

Foi com espanto que vimos, na semana passada, o governador João Doria divulgar, durante uma entrevista, informações completamente diferentes da realidade.

Apresentando dados equivocados, ele disse que havia 7 mil policiais em formação na Academia de Polícia e afirmou que eles receberam as armas mais modernas do mundo. Adoraríamos que isso fosse verdade, mas hoje pouco menos de 400 policiais estão em formação. E as armas só foram entregues à Polícia Militar.

Logo depois, o vice-governador Rodrigo Garcia veio a público afirmar que os delegados de São Paulo recebiam, contando com os ‘penduricalhos’ que não são incorporados ao salário para cálculo de aposentadoria, em média, R$ 19 mil. Outra informação equivocada. Com um salário inicial de pouco mais de R$ 9,8 mil, nossa realidade está bem distante do que quis demonstrar o governo.

Sabemos que será impossível, em um ano, reparar tantas injustiças cometidas contra a Polícia Judiciária ao longo de décadas de abandono. Mas demos um voto de confiança ao governador e esperamos que esta nova gestão cumpra com as promessas de campanha e faça do salário da Polícia Civil do estado de São Paulo um dos mais altos do Brasil.

*Raquel Kobashi Gallinati, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo

Ranking Salarial dos Delegados de Polícia. Foto: Divulgação

Ranking Salarial dos Investigadores. Foto: Divulgação

Ranking Salarial dos Escrivães. Foto: Divulgação

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