O que será do sistema de Saúde pós-pandemia?

O que será do sistema de Saúde pós-pandemia?

Luciene Giusti*

06 de novembro de 2020 | 15h03

Luciene Giusti. Foto: Divulgação

Vivemos um momento histórico e que nos faz refletir bastante! Qual o papel de cada um na saúde coletiva e individual? O sistema da saúde é bastante complexo e envolve os órgãos públicos, operadoras, seguradoras, cooperativas, administradoras de benefícios,  corretoras, hospitais, laboratórios, indústria de materiais e medicamentos, prestadores e instituições de  serviços em saúde, empresas de tecnologia em saúde, empresas sem finalidade em saúde e o maior impactado : o usuário. Será que podemos diante disso atribuir a saúde de uma pessoa a um só responsável? 

Cuidar da saúde das pessoas passa a ser um desafio e uma responsabilidade refletida por todos os elos da cadeia. A pandemia sem dúvida acelerou diversas iniciativas no mercado e na conscientização das pessoas.

Precisamos parar de ver os hospitais como nossa primeira opção para qualquer problema, como porta de entrada no sistema. Para isso existem as unidades básicas de saúde, os ambulatórios generalistas com médicos de família e clínicos gerais e pediatras. São estes os profissionais formados e mais bem preparados para cuidar do indivíduo de forma integrada. E claro, encaminhar aos exames e especialistas específicos, quando realmente necessário.

É desta forma que em 1990 nasceu o SUS- Sistema Único de saúde. O SUS é um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo e tem por objetivo oferecer assistência universal a saúde em grande parte por meio do programa de saúde da família. Organizado em uma ordem crescente de complexidade, onde a porta de entrada é a atenção primária. 

Estamos na situação ideal e perfeita? Claro que não! Mas sem dúvida este é o modelo recomendado dada a sua capacidade resolutiva que pode alcançar até 80% dos problemas de saúde. Na saúde suplementar comemoramos a implementação de modelos de atenção primária nas empresas, hospitais, serviços de telemedicina, monitoramento de saúde e integradoras de saúde.

É essencial que cada pessoa eleja um médico para chamar de seu, que lhe conheça como um todo e não em partes ou sistemas do corpo. A falta de conscientização disso traz enormes custos ao sistema de saúde com duplicidade de exames, procedimentos, além de não se traduzir em melhor cuidado e impedir o acesso aos hospitais a quem realmente precisa deles. 

Apesar de todas estas mudanças em curso sabemos que somente o usuário é quem mais pode perder diante de um problema de saúde. Por isso independente de fazer parte de um sistema público ou privado entende-se não poder mais delegar sua saúde a ninguém e é preciso se engajar! Precisa assumir o protagonismo do seu cuidado e do cuidado coletivo! Este momento sensibiliza as pessoas a repensarem como vem vivendo o seu dia a dia. Estudos apontam que 50% o da nossa saúde são definidos pelos nossos hábitos de vida e 20% pelo ambiente onde estamos inseridos. 

Veja quanto poder o indivíduo tem sobre sua vida? 

Diante disso não cabe posturas paternalistas! Cabe auto responsabilização pelas escolhas seja na alimentação, atividade física, ambientes, hábitos, relacionamentos e atividades que possibilitem a segurança da sua saúde, um bom equilíbrio físico, social e emocional. Esse insight precisa ocorrer para todos e não há momento mais oportuno! Seremos daqui 20, 30,40 anos o que escolhermos fazer hoje! 

Se cada player e individuo assumir sua responsabilidade no sistema, buscando aprimorar seu papel é que vamos conseguir vislumbrar um sistema de saúde, que antecipa e previne doenças, que gera mais qualidade de vida, mais saúde e produtividade com um menor custo econômico e social para qualquer país.

*Luciene Giusti, Assessora Executiva da Aliança para Gestão de Saúde Populacional (ASAP)

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