O que são dados alternativos e como usá-los na hora de investir

O que são dados alternativos e como usá-los na hora de investir

Rafael Consoni*

24 de junho de 2021 | 04h00

Rafael Consoni. FOTO: DIVULGAÇÃO

Investidores querem aumentar o retorno de seus fundos, ainda mais em um período de incertezas, diante de uma pandemia mundial. Para isso, é fundamental ter acesso ao máximo de informações confiáveis para compreender os mecanismos de uma companhia, no intuito de construir uma tese de investimento mais forte e tomar decisões assertivas de compra, venda ou para manter ações. Neste processo, ganham ainda mais relevância os dados alternativos, que são aquelas informações fora das fontes de dados tradicionais, como balanços, resultados financeiros, preços de títulos ou pesquisas produzidas por analistas sell-side. Ou seja, qualquer dado utilizado para estimar a performance de uma companhia que não é fornecido pela própria companhia ou por seus analistas pode ser considerado um dado alternativo.

Os dados alternativos não têm como objetivo substituir os dados tradicionais, no entanto, podem ser complementares. Com acesso a esses relatórios, que vão além dos dados clássicos, investidores podem escolher métricas relevantes para avaliar e comparar a performance de uma companhia, ter sinais adicionais de que um negócio está indo bem ou não, bem como fazer previsões de crescimento. Isso pode ajudar investidores e analistas a validar uma tese de investimento, ter mais embasamento em sua estratégia e até mesmo identificar novas oportunidades.

Atualmente, há diferentes tipos de dados alternativos disponíveis, como informações sobre o tráfego, engajamento e conversão em sites e redes sociais, além de dados por geolocalização e de transações em cartões de crédito, por exemplo. Esse tipo de levantamento pode evidenciar a movimentação de uma empresa ou setor, como estão suas vendas e volume de transações, de visitantes no local (por geolocalização), antes da divulgação de informações oficiais. Isso é essencial porque permite antecipar tendências, fornecendo sinais de alerta antecipadamente ou dando embasamento na hora da decisão de investimento.

Para dar uma dimensão da importância desse tipo de informação: de acordo com uma estimativa apresentada no MarketWatch, empresas do buy-side gastaram 1,1 bilhão de dólares em dados alternativos em 2019. Já um levantamento da Research and Markets aponta que o mercado global de dados alternativos deve atingir US$ 11,1 bilhões até 2026.

Ainda que não seja um fenômeno novo, os dados alternativos ganham cada vez mais relevância em um contexto marcado, principalmente no ano passado, por oscilações constantes de ações, e agora pela recuperação do mercado. Para que os investidores consigam entender como as empresas podem se comportar em um período pós-pandemia, o uso desses dados torna-se ainda mais essencial. Uma vez que muitos dos dados tradicionais são públicos, eles deixam de ser um diferencial para o investidor.

Porém, como qualquer tipo de dado, é fundamental que analistas e investidores verifiquem quais informações fazem mais sentido para suas estratégias de investimento, além de buscar empresas confiáveis, com relatórios precisos e estruturados. Com esse acesso a dados alternativos de qualidade, o investidor poderá definir seus próximos passos com mais assertividade e segurança.

*Rafael Consoni, Sales Manager – Finance na Similarweb

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