O que os usuários de transporte das cidades realmente querem?

O que os usuários de transporte das cidades realmente querem?

Luisa Feyo Guimarães Peixoto*

08 de novembro de 2020 | 10h00

Luisa Feyo Guimarães Peixoto. FOTO: DIVULGAÇÃO

As eleições municipais já começaram e trata-se de uma oportunidade única para debater como resolver os problemas do dia a dia das pessoas. A mobilidade urbana é, certamente, um dos maiores desafios. Ainda mais em tempos de pandemia, em que estamos retomando nossa rotina de deslocamentos com a abertura gradual das atividades que estavam suspensas para frear a disseminação da Covid-19.

Quando olhamos o programa de governo das candidatas e candidatos, devemos nos perguntar: as ações propostas podem realmente mudar a vida dos moradores das cidades? Quais são a verdadeiras dores de quem usa o transporte coletivo? Infelizmente, existe uma iniciativa pouco mencionada, mas que pode melhorar drasticamente a experiência das pessoas no transporte coletivo: os Dados Abertos.

Atualmente, medidas de segurança para evitar a transmissão da Covid-19 tornaram-se uma prioridade para todos. Em uma pesquisa que a Quicko realizou com seus usuários em outubro, para saber o que mais importa na hora de sair de casa, não é surpresa que 35% dos respondentes escolheram o menor risco de transmissão do novo coronavírus.

A divulgação de dados do sistema de transporte coletivo em tempo real, como a localização dos ônibus ou a lotação dos trens e metrôs, pode evitar aglomerações de maneira muito efetiva.

Na mesma pesquisa, 39% dos participantes destacaram que as informações em tempo real reduzem o tempo de espera nos pontos de ônibus, 18% apontaram que elas ajudam a evitar as aglomerações e 11% que conseguem mudar o trajeto caso precisem. Essas três respostas estão diretamente relacionadas à gestão das aglomerações no sistema de transporte.

Além disso, 12% dos usuários sentem mais confiança em utilizar o transporte coletivo tendo acesso a informações em tempo real. Portanto, dados abertos podem reduzir a evasão do transporte coletivo por medo do contato com outras pessoas, um problema que preocupa muitas cidades e operadores de transporte.

A abertura de dados é essencial para o surgimento de plataformas digitais de roteirização e informação sobre o transporte coletivo que contribuem para o desenvolvimento de um ecossistema de inovação em mobilidade. Essas empresas fornecem informações simples e objetivas para os usuários, que acabam gerando dados anonimizados sobre padrões de deslocamento. Quando esses dados são compartilhados de volta com as autoridades locais e os operadores, ajudam no planejamento e nas melhorias da infraestrutura de mobilidade das cidades.

O transporte público é um serviço essencial e seus dados são de interesse da sociedade. Compartilhá-los deve ser uma política pública obrigatória em todas as cidades. Com eles, é possível disponibilizar informações relevantes aos passageiros e garantir maior segurança para todos. Podemos também incentivar o uso do transporte coletivo e impedir que os carros particulares voltem a invadir as nossas cidades, causando mais congestionamento e poluição. E ainda, estimula a inovação e dá autonomia às cidades por meio do acesso a informações sobre os deslocamentos urbanos, reduzindo seus custos operacionais. Isso sem contar a expansão da economia e a geração de novos empregos na área da tecnologia. Pessoas querem informação e segurança, e abrir dados é a maneira mais rápida e eficiente de entregar isso a elas.

*Luisa Feyo Guimarães Peixoto é especialista em Políticas Públicas e Mobilidade da Quicko

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