O que o Open Finance brasileiro pode aprender com o Open Banking britânico  

O que o Open Finance brasileiro pode aprender com o Open Banking britânico  

Lars Trunin*

05 de fevereiro de 2021 | 07h00

Lars Trunin. FOTO: DIVULGAÇÃO

O Banco Central brasileiro inicia este mês a implementação do Open Finance. Mas, afinal, qual a diferença entre Open Banking já estabelecido no Reino Unido e o Open Finance do Brasil?

O Open Banking é um sistema baseado na abertura e integração de plataformas de bancos e fintechs. Na prática, possibilita o compartilhamento de dados, produtos e serviços pelas instituições financeiras, desde que com autorização dos clientes. Essa troca de dados é realizada de forma segura, ágil e conveniente. E são infinitas as possibilidades de customização e conveniência para o cliente, que passa a ter pleno domínio sobre os seus dados bancários, histórico de utilização de serviços e sobre quem tem acesso a eles.

O Open Finance vai além, e permitirá que várias organizações não-financeiras também ofereçam produtos como investimentos, seguros, previdência, hipotecas, dentre outros. Dessa forma, a população teria acesso, por exemplo, a um gerenciamento financeiro holístico, personalizado e aprofundado. Outras vantagens possíveis são avaliações de crédito mais precisas e mudança de fornecedor de serviço financeiro de forma mais automatizada. Tornando o mercado mais transparente e competitivo.

Open banking pelo globo

De acordo com o OBIE (Open Banking Implementation Entity), o sistema britânico de Open Banking foi oficialmente ao ar em 2018 e hoje conta com cerca de 2,5 milhões de consumidores usando serviços de Open Banking oferecidos por 300 fintechs. No mundo, iniciativas que se inspiram nesse modelo seguem em diferentes graus de progresso. A União Europeia possui o The Berlin Group como entidade que estabelece normas para o sistema na região. Singapura, Hong Kong e Austrália são exemplos de locais onde o Open Banking tem progredido. Também há uma evolução moderada nos Emirados Árabes Unidos, Nova Zelândia, Índia, Malásia, Tailândia, Barém e Taipei.

Enquanto o Open Banking avança lentamente na China, Indonésia, Filipinas, Irã, Israel, Paquistão, Rússia, Sri Lanka e Turquia; está em estágio inicial na Coreia do Sul, Vietnã e Catar. Já a evolução deste modelo, o Open Finance, vem sendo discutido na Europa como um todo, no México e na Austrália.

Lições dos desafios no Reino Unido

Um dos desafios que o Reino Unido tem enfrentado após a adoção do Open Banking é que os bancos não estão compartilhando dados suficientes, ou seja, muitas instituições financeiras que têm que compartilhar seus dados via APIs (interfaces de programação de aplicações) apenas fazem o mínimo em conformidade com a lei, o que dificulta as oportunidades de utilização do Open Banking de forma mais ampla. Sem falar no envio de dados incompletos, como ausência de nome ou dados bancários parciais.

A experiência do cliente na região ainda não está fluida, o que prejudica a adoção. Com processos para usar Open Banking ainda pouco simples, a adesão diminui e faz com que os bancos invistam menos nisso, gerando um ciclo vicioso. Outra questão é a necessidade, no sistema britânico, de a cada 90 dias autenticar novamente o consentimento de uso pela instituição terceirizada. Isso cria mais uma etapa e gera frustração nos clientes, que acabam excluindo o app do parceiro.

Oportunidades no Brasil

Em suma, o Open Banking é um conceito que simplifica os pagamentos aos clientes. No Reino Unido, onde foi criado, ainda há vários pontos de melhoria que, quando resolvidos, facilitarão o caminho de adoção do Open Finance.

Já a implementação do Open Finance coloca o Brasil na vanguarda internacional com uma das regulamentações mais abrangentes no mundo todo. Com escopo mais completo  do praticado atualmente no Reino Unido, o modelo brasileiro apresenta  nível de complexidade equivalente ao da próxima fase do Open Finance britânico.

O Open Finance representa um marco no setor financeiro com potencial de democratizar o acesso aos produtos e serviços bancários com taxas menores, mais transparentes e personalizadas. As empresas terão mais oportunidades de oferecerem serviços com custos ainda menores e que auxiliem os clientes a economizar cada vez mais, optando por serviços eficientes, transparentes, seguros e ágeis.

*Lars Trunin, head de produto da TransferWise no Reino Unido e especialista em Open Banking

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