O que o mundo BANI pode nos ensinar

O que o mundo BANI pode nos ensinar

Luiz Gastão Bolonhez*

02 de abril de 2021 | 04h00

Luiz Gastão Bolonhez. FOTO: DIVULGAÇÃO

Antes de detalhar o conceito de mundo BANI, precisamos relembrar a história do já conhecido mundo VUCA – acrônimo criado nas escolas militares americanas, há mais de três décadas, que se tornou popular no mundo dos negócios a partir de 2008, em resposta à crise econômica e à necessidade de adaptação do mercado. Suas referências – volatilidade (V), incerteza (U), complexidade (C) e ambiguidade (A) – apontavam para a situação do mercado na época e indicavam as habilidades comportamentais necessárias para que os profissionais pudessem se adaptar. Assim, o pensamento crítico, a resiliência, a visão estratégica e a liderança passaram a ser algumas das capacidades mais valorizadas no ambiente corporativo desde então.

Mas em 2020 tudo mudou. A chegada da pandemia desestabilizou completamente o ecossistema social e econômico, trazendo mudanças significativas para o mercado de trabalho. Assim, o conceito estruturado pelo antropólogo, autor e futurista norte-americano Jamais Cascio – o mundo BANI – ganhou força e se tornou um importante indicador para o cenário corporativo atual.

As definições do acrônimo BANI são Brittle, Anxious, Nonlinear e Incomprehensible – ou frágil, ansioso, não-linear e incompreensível – e representam situações imprevisíveis, caóticas, que nos deixam totalmente fora do controle e nos obrigam a reagir rapidamente ao novo. São quatro palavras que se propõem a definir um cenário extremamente complexo, que afeta profundamente o mercado de trabalho e as pessoas. Então, quais seriam os antídotos para cada uma delas?

Se a volatilidade era predominante no mundo VUCA, hoje ela ganhou tanta força que tornou tudo muito frágil e sem solidez. Na era BANI, as pessoas têm a sensação de que tudo pode desmoronar a qualquer instante. Como agir? Acredito que a fragilidade pode ser administrada por meio da resiliência, determinação e liberdade.

A ansiedade, aquela sensação que a maioria das pessoas conhece e torna a tomada de decisão algo bem complicado, é uma porta aberta para que os indivíduos se sintam constantemente perdidos. Que tal tentarmos diluir a ansiedade por meio da empatia e da atenção plena no hoje?

A não-linearidade é o imprevisível. Tudo pode acontecer enquanto estamos ainda em isolamento social, em meio ao caos sem prazo para terminar. Aqui, desenvolver habilidades como paciência, a resignação e a flexibilidade pode ser o segredo.

Por fim, a incompreensibilidade representa a sensação de buscar respostas e não encontrar, mesmo com toda e qualquer informação ao alcance de um clique. A grande chave aqui é lançar mão da intuição, obviamente sem deixar de lado as experiências adquiridas.

Acredito, de fato, que a nova era BANI promove uma oportunidade para as empresas e a sociedade como um todo reajustarem falhas, identificando pontos que podem ser melhorados, para juntos construirmos um novo mundo. Na companhia onde sou vice-presidente, utilizamos o conceito de “Experiência Fantástica” para representar o valor que está diretamente relacionado ao cliente, mas isso só é possível se as empresas adotarem a prática de colocar as pessoas em primeiro lugar. Nesse sentido, é importante mostrar que é possível criar mecanismos de adaptação e enfrentamento a situações completamente diferentes de tudo o que já se viveu.

*Luiz Gastão Bolonhez, vice-presidente do Mercado Eletrônico

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