O que ganha o SUS com a telemedicina?

O que ganha o SUS com a telemedicina?

Jihan Zoghbi*

15 de novembro de 2020 | 05h15

Jihan Zoghbi. Foto: Divulgação

A pandemia do coronavírus é muito mais do que um desafio de saúde global — talvez o maior que a nossa geração vai enfrentar. O que estamos vivendo é também uma transformação de paradigmas em diversas áreas da sociedade: no comportamento, no trabalho, na relação entre pessoas. E há muitos aprendizados e hábitos incorporados nos últimos meses e que seguirão fazendo parte do nosso cotidiano.

Logo nos primeiros dias dos decretos de distanciamento social, o Ministério da Saúde publicou uma portaria regulamentando atendimentos médicos à distância. Não se tratava de uma novidade: a telemedicina já era realidade em diversos casos, mas necessitava de uma primeira consulta presencial, com um médico. Após a decisão federal, esse requisito deixou de ser necessário, e a prática ganhou ainda mais força.

Não é exagero dizer que essa medida salvou milhares de vidas Brasil afora. O atendimento online fez evitar o deslocamento de pacientes e ajudou a reduzir a sobrecarga de unidades de saúde. Trouxe segurança para profissionais e enfermos que, diante de uma doença extremamente contagiosa, puderam evitar contatos presenciais. E as vantagens não se resumem ao contexto do coronavírus: com a população receosa de sair às ruas ou entrar em um hospital ou clínica, os exames e consultas de rotina seguiram sendo feitos com a mesma eficácia — agora, diante da tela do computador ou do celular.

Com o avanço das pesquisas sobre a vacina e a aguardada contenção do vírus, é fundamental que todo esse legado não seja perdido. Pelo contrário: surge aí uma oportunidade extraordinária de qualificar e ampliar o acesso à saúde da população. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), promovida pelo IBGE, um em cada quatro brasileiros não consegue atendimento médico na primeira tentativa. Na maioria dos casos, são serviços procurados em Unidades de Pronto Atendimento, Unidades Básicas de Saúde e prontos socorros de hospitais públicos. E muitos dos quais poderiam ser sanados de forma mais eficaz via telemedicina.

O Sistema Único de Saúde (SUS) é uma conquista de todos os brasileiros. Quando apenas 28% da população possui acesso a planos de saúde, ele se mostra ainda mais importante — sobretudo agora, em meio a uma pandemia sem precedentes na história recente. O país precisa encontrar alternativas para qualificar e fazer chegar o atendimento a quem mais precisa. Nossas dimensões são continentais, e muitas vezes esse crescimento não poderá se sustentar por meio de tijolo e cimento. Pode, isto sim, ser feito com tecnologia e inovação — e a abertura necessária para incorporar aprendizados e novas práticas em nosso dia a dia.

*Jihan Zoghbi, CEO da Dr. TIS e presidente da ABCIS (Associação Brasileira CIO Saúde)

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