O que falar quando alguém diz que não tem vontade de viver?

O que falar quando alguém diz que não tem vontade de viver?

Johnson Ferreira*

10 de setembro de 2019 | 09h00

Johnson Ferreira. FOTO: DIVULGAÇÃO

Em algum momento da vida, é sujeito ouvirmos de algum amigo ou familiar o desejo de não continuar vivo.

Por vezes essa afirmação é feita de forma direta ou indireta, por exemplo: ‘Você não me verá mais aqui’, ‘Vou desistir de tudo’, ‘Eu não estarei aqui no próximo ano’, ‘Eu vou fazer o pior’, ‘Esta é a minha última vez aqui’, ‘Eu não aguento mais’, entre outras.

Estes tipos de afirmações são sinais de alerta. Elas podem significar que o indivíduo está verbalizando ideações suicidas.

A princípio, é necessário manter a calma e saber que ao longo da vida, em algum momento, muitas pessoas já pensaram em suicídio e em muitos casos, indivíduos com ideação suicida não chegaram sequer a tentar suicídio.

Contudo, a pessoa com ideação suicida precisa ser abordada de forma amigável, acolhedora e atenciosa; pois trata-se de um assunto muito íntimo e delicado.

Portanto, a abordagem deve ser suave e responsável, caso contrário o indivíduo pode negar a recorrência dos pensamentos suicidas em ocasiões seguintes e abster-se de falar do assunto, caso tenha se sentido ridicularizado, condenado ou julgado, mesmo que implicitamente.

Algumas pessoas ficam sem saber o que dizer diante de uma revelação da falta do desejo de continuar a viver. Nesses casos, estar disponível para ouvir pode ser mais importante do que falar algo de imediato e incorrer em um erro que gere afastamento.

Sendo assim, colocar-se no lugar de escuta é essencial para que a pessoa possa abrir-se e desabafar. Uma maneira de estimular que a pessoa fale é através de perguntas abertas, do tipo: “Como você está se sentindo?”, “Em que você está pensando?”, “O que posso fazer por você?”, etc.

É preciso ter cuidado para não minimizar o sofrimento alheio considerando que as razões pelas quais ele sofre são bobagens ou coisas insignificantes, ao contrário, é necessário demonstrar respeito e compreensão diante da dor do outro.

O que a pessoa precisa nesse momento é de amparo, conforto e de um ‘ombro amigo’ e não de críticas, julgamentos e sermões. Colocar-se à disposição, transmitir confiança, demonstrar apoio e ser paciente são posturas mais sensatas para este delicado momento.

É válido lembrar que, segundo estudos, em cerca de 90% dos casos de suicídio são encontrados transtornos mentais associados; como a depressão, esquizofrenia e transtornos relacionados ao uso de substâncias, como por exemplo o álcool.

Portanto, é fundamental que o indivíduo nesse quadro seja encaminhado para acompanhamento médico e psicológico especializado.

*Johnson Ferreira é psicólogo do FalaFreud e possui 13 anos de experiência na área de psicoterapia

Tudo o que sabemos sobre:

Artigosuicídio

Tendências: