O que está impedindo o seu sucesso financeiro?

O que está impedindo o seu sucesso financeiro?

Fabio Pajaro*

19 de dezembro de 2019 | 04h00

Fabio Pajaro. FOTO: DIVULGAÇÃO

Ter uma vida estável e confortável financeiramente não é tarefa fácil no Brasil, especialmente para quem trabalha como assalariado. Mas algumas atitudes – ou a falta delas – podem contribuir para que se enfrente mais dificuldades no dia a dia.

A primeira falha grave que resulta no insucesso financeiro é a falta de organização. Para que se consiga cumprir todos os compromissos mensais, é preciso um grau mínimo de planejamento – uma simples planilha na qual as receitas e despesas (fixas e variáveis) sejam colocadas lado a lado pode ser um ponto de partida. Saldos bancários e investimentos também devem ser acompanhados com frequência e rigor.

Com base neste verdadeiro raio x das finanças, pode-se começar a planejar ações para a busca do tão sonhado equilíbrio das contas. Neste sentido, a primeira tarefa a ser cumprida é fazer com que as contas sejam pagas nas datas certas, sem atrasos, evitando multas e juros.

É claro que quitar todos os débitos mensais nem sempre é possível, principalmente quando se gasta mais do que se ganha – e esta parece ser uma tendência entre grande parte dos brasileiros, muito em razão falta de cultura financeira da população.

Assim, se a sua planilha mensal indicar que as despesas são maiores do que as receitas, há um grave problema, que precisa ser resolvido o mais rapidamente possível. E existem há duas formas de se fazer isso: aumentando a receita ou reduzindo as despesas – o ideal é a combinação dos dois fatores.

Usar parcial ou integralmente o limite do cheque especial para quitar as contas do mês pode dar a falsa impressão de que as contas estão equilibradas. Mas na verdade trata-se de uma grande armadilha. O custo deste dinheiro que o banco disponibiliza aos clientes de forma instantânea é dos mais altos, em razão das taxas de juros. Solução? Resguardar essa fonte para ser usada apenas em casos emergenciais – nunca utilizando-a para compras do mês, por exemplo.

Da mesma forma, o limite do cartão de crédito pode – e deve – ser explorado, mas com parcimônia, sempre dentro dos limites da receita mensal. Nunca se esqueça de que, a cada 30 dias, uma nova fatura chega. E, quando se gasta o triplo do salário no cartão, será impossível quitar a fatura integralmente. Resultado: juros altíssimos, que irão se acumular como bola de neve pelos meses seguintes. Qual a saída? Defina os gastos a serem feitos no cartão, dentro do seu planejamento mensal.

Ainda com o objetivo de equilibrar as finanças, deve-se buscar formas de ampliar as receitas, o que pode ser feito com a venda de produtos ou a prestação de serviços. Do outro lado da balança, o foco deve ser voltado ao corte de gastos desnecessários. Neste ponto, os membros da família devem ser conscientizados de que, se os gastos de todos forem feitos de forma racional e planejada, aquela sonhada viagem de férias poderá sair do papel.

Com as contas equilibradas, o próximo passo é poupar o que for possível. Valores excedentes podem ser investidos – há fundos bancários tão seguros quanto a poupança, mas que pagam mais e também podem ser sacados a qualquer momento. Se a família conseguir economizar e aplicar um percentual entre 10% e 15% ao mês, em breve terá um bom “colchão” para eventuais necessidades ou até mesmo para extravagâncias planejadas, como aquele cruzeiro com a turma toda pelo Caribe no verão.

Por fim, uma última – e talvez a mais importante – dica: sempre que possível, leia, estude e assista a programas sobre finanças responsáveis. Neste caso, conhecimento é dinheiro, literalmente. E, quanto mais consciente de sua situação financeira você for, melhor será a gestão do seu orçamento, e mais condições você terá de superar os obstáculos que impedem o seu sucesso financeiro.

*Fábio Pajaro, economista e advogado

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