O que está em discussão é a sobrevivência!

O que está em discussão é a sobrevivência!

Diogo Cuoco*

04 de maio de 2020 | 03h40

Diogo Cuoco. FOTO: DIVULGAÇÃO

Tenho visto muito debate sobre isolamento vertical ou horizontal e exponho aqui a minha visão sobre o assunto e o que tenho pensado sobre a crise. Em momentos de histeria, está evidente que se dificulta a manutenção do equilíbrio e do respeito. Vivemos um momento de discussões calorosas sobre a vida e a sobrevivência.

Os que defendem a vida, chamam a atenção para uma trágica pandemia, em um cenário de guerra com muitas mortes e doentes. Os da sobrevivência, divulgam números e dados indicando que irão morrer mais pessoas de outras doenças, fomes e suicídios como efeito do confinamento do coronavírus. Agridem-se, medem forças, ultrapassam limites. Mas quem está realmente certo?

Vivemos sim uma grande pandemia. Voltamos a ser indígenas em contato com uma “gripezinha” vinda de outro país. Adoecemos e morremos. O problema é que não estamos mais em florestas; vivemos aglomerados. Já tínhamos uma enorme quantidade da população doente ou suspeita utilizando os hospitais, lotando corredores, brigando por vagas em UTIs. Então, onde arrumar espaço para tantos outros que irão necessitar?

Medidas de isolamento social para ganhar tempo e permitir a estruturação do sistema de saúde devem e estão sendo tomadas. Por outro lado, como ficam os pacientes que necessitam de tratamento para doenças como câncer, insuficiência renal e coronariana que precisam de acompanhamento constante? Quantos também irão morrer com o adiamento de cirurgias? Qual realmente é a medida do custo da morte? Mortes por coronavírus, por acidente de carro, pela violência urbana e em decorrência de complicações cardiovasculares?

Como empreendedor, não estou apartado da sociedade em que vivo e, especialmente por sentir na pele, também questiono o fator econômico. Quantos irão fechar portas, perder empregos, morrer de fome e entrar em depressão se esse isolamento social se prolongar por três, quatro, cinco meses ou mais?

O que está em discussão – e parece que temos que ter muito equilíbrio para perceber e refletir – é a sobrevivência. Sobrevivência individual, dos países e do mundo. Inclusive, cabe a análise do modelo de sociedade globalizada que tínhamos e o que queremos para nosso futuro e das gerações que se seguirão às nossas.

As entidades médicas e os pesquisadores terão que parar de pensar somente em um vírus e pensar no ser humano como um todo. Os economistas terão que parar de pensar só no desastre econômico. Precisamos estar saudáveis, mas para isso precisamos comer e viver para poder sobreviver. Isso não só envolve as medidas de cuidados em prevenção de qualquer doença, mas também na “saúde” econômica.

Passado o isolamento inicial para evitar o colapso da saúde, que se abram as discussões entre dois grupos, pois viver tem uma relação direta com sobreviver.

*Diogo Cuoco é founder e CEO da Taki Pagamentos

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