O que esperar do PIX no comércio eletrônico nacional?

O que esperar do PIX no comércio eletrônico nacional?

Eduardo Fregonesi*

15 de outubro de 2020 | 03h00

Eduardo Fregonesi. FOTO: DIVULGAÇÃO

A pandemia de covid-19 preocupa e ainda assusta os brasileiros. Contudo, alguns setores aproveitaram o momento de dificuldade para crescerem e se consolidarem como opções maduras de investimento. É o que ocorreu com o e-commerce nacional. Com muitas empresas suspendendo as operações físicas devido às recomendações de isolamento social, o comércio digital segurou as pontas e proporcionou a mesma rentabilidade. Agora, o setor está prestes a ganhar uma opção mais ágil, eficiente e simples para pagamentos: o PIX.

Esse é o nome do sistema de pagamentos digital elaborado pelo Banco Central. Além de servir para compras e pagamentos de contas no dia a dia, sem a necessidade de cartão para isso, a proposta é que substitua o DOC e a TED, duas ferramentas de transferência de dinheiro entre pessoas e empresas – afinal, ele vai ser gratuito à população e oferecerá a possibilidade de se realizarem transações a qualquer momento da semana, com o valor caindo na conta instantaneamente. A expectativa é de que o novo serviço esteja disponível a partir de 16 de novembro de 2020.

Para as lojas virtuais, espera-se que esse novo meio de pagamento acelere ainda mais o processo de finalização de compra, de forma que o cliente conclua um pedido e confirme o pagamento em instantes, acelerando o processo – no boleto, por exemplo, o consumidor chega a esperar até três dias úteis para confirmação do pagamento e só depois a entrega é iniciada.

Além disso, o PIX surge como forma de pagamento prática e sem atrito na experiência de compra do usuário, ou seja, não há mudança de tela no checkout e todas as informações são transparentes em todos os devices. Sem falar, claro, que ainda haverá espaço para outros meios de pagamentos, respeitando a cultura brasileira de parcelar certas compras e quantias.

Evidentemente, a entrada de um novo meio de pagamento, principalmente desenvolvido pelo órgão máximo do Sistema Financeiro Nacional, exige adaptações. As principais mudanças serão nas instituições financeiras, mas no âmbito do comércio eletrônico é esperado um movimento de incentivo na adoção desse meio de pagamento nas compras on-line pelos benefícios já citados. Empresas especializadas em soluções neste segmento precisam trabalhar para que os lojistas tenham essa opção assim que possível a fim de agilizar toda a cadeia de compras.

São mudanças necessárias, mas que dificilmente acontecerão do dia para a noite. Para o serviço ser popularizado no Brasil, é preciso oferecer acessibilidade, segurança, infraestrutura e agilidade na oferta de serviços. Mesmo com a proximidade de implementação, muitas pessoas ainda não têm clareza das vantagens que essa solução traz a seu dia a dia. Alguns classificam como irrelevante por terem desconfiança de algo totalmente digital e/ou não ter conhecimento claro para começar a utilizá-lo. As instituições e empresas que adotarem o método de pagamento devem trabalhar em cima de ações que possam reverter essa percepção do consumidor.

Entretanto, tudo leva a crer que é questão de costume. Por muito tempo, a própria ideia do e-commerce era vista com desconfiança por grande parte dos brasileiros. A proposta de comprar um produto sem visualizá-lo e, ainda por cima, digitar informações bancárias na internet afastava consumidores mais conservadores. Com a pandemia de covid-19, o receio foi suplantado pela necessidade e, no fim, os novos usuários descobriram que o comércio eletrônico é tão seguro quanto as lojas físicas – com a vantagem da comodidade nos pedidos. Com o PIX o caminho deve ser o mesmo: quando as pessoas descobrirem que podem pagar suas compras de forma instantânea e agilizar a entrega, certamente ele se tornará na opção número um da população.

*Eduardo Fregonesi é CEO da Synapcom

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