O que a rede já sabe sobre você?

O que a rede já sabe sobre você?

Alessandra Montini*

16 de janeiro de 2021 | 04h30

Alessandra Montini. FOTO: DIVULGAÇÃO

Você já parou para pensar em como tem cuidado dos seus dados no mundo digital? Talvez a pergunta não lhe traga tanta preocupação nesse momento, já que estamos acostumados a navegar normalmente pela internet, nas redes sociais sem ao menos pensar que deixamos rastros por toda a parte.

Só hoje, quantas vezes você deixou a localização do seu smartphone ativada, digitou o número do cartão de crédito ao fazer uma compra em uma loja online, digitou seu CPF, fez login, e esteve em tantos outros lugares no ambiente digital?

Provavelmente, você não deve nem saber quantas vezes fez isso no seu dia a dia, já que essas atividades são realizadas no modo automático. Estamos cada vez mais conectados e fazemos tudo (ou quase tudo) a partir de um clique no celular. Tudo isso é benéfico, mas não quer dizer que estamos isentos de riscos. Pelo contrário, a medida que mais pessoas aderem a internet como aliada, o mundo digital fica cada vez mais vulnerável a ataques cibernéticos.

Um estudo da União Internacional de Telecomunicações (UIT), agência das Nações Unidas, apontou que mais da metade da população mundial está conectada à internet. São 3,9 bilhões de pessoas (o equivalente a 51% da população mundial) ligadas à rede. No Brasil, são 134 milhões de internautas, segundo o TIC Domicílios 2019.

Todos esses usuários geram dados no universo digital que são armazenados por empresas diferentes. No entanto, essas informações nem sempre estão seguras e podem ser facilmente violadas por pessoas mal-intencionadas. Para ter uma ideia, em 2019, 540 milhões de arquivos com dados de usuários do Facebook foram comprometidos.

O relatório das principais empresas do mundo em segurança cibernética, a brasileira Apura, registrou, entre janeiro e novembro de 2020, um total de 272,5 milhões de ataques cibernético – um crescimento de 394% em relação a 2019.

A criação de perfis falsos representa a maior parte das ocorrências fraudulentas (28,9%), seguida pela manipulação de dados bancários (19,8%) e cartões (15,1%). Os phishings – tentativas de ludibriar o usuário a entregar alguma informação pessoal – também têm participação significativa: 14%.

O vazamento de dados, embora responda por 2,1% das ocorrências fraudulentas, tem a gravidade acentuada pela violação de informações pessoais dos usuários. O relatório contabilizou mais de 958 mil CPFs, 592 mil cartões internacionais, 262 mil cartões nacionais e 220 milhões de credenciais de acesso que foram violados.

É evidente que os criminosos estão interessados em vantagens financeiras, mas, no Brasil, os ataques podem acontecer para diferentes fins. No primeiro turno das eleições municipais, em 15 de novembro do ano passado, hackers expuseram dados administrativos antigos do TSE em links para download. Isso reforça o quanto qualquer ambiente na internet pode ser um alvo.

Com o aumento significativo que teremos de usuários da internet nos próximos anos e a expansão do 5G, já é esperado que uma onda de ataques aconteça. Empresas do setor no mundo inteiro se preparam para lidar com essas ameaças. Além disso, legislações, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), vem para forçar as empresas a terem o menor número de informações possíveis de seus clientes, de maneira segura e com consentimento do usuário.

Por isso, se você ainda não pensou para onde vão seus dados na internet, é bom começar a se preocupar. Acredite, o seu comportamento no ambiente digital pode se tornar público, seja intencionalmente ou não.

*Alessandra Montini é diretora do LabData, da FIA

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