O que a política pode aprender com a iniciativa privada

O que a política pode aprender com a iniciativa privada

Fernanda Gomes*

26 de outubro de 2020 | 04h45

Fernanda Gomes. Foto: Divulgação

Venho de uma carreira na iniciativa privada. Uma carreira sólida conquistada com bastante esforço. Logo que saí da faculdade consegui meu primeiro emprego, ganhava pouco e trabalhava muito. Rapidamente entendi que trabalhar muito era a única opção se eu quisesse ganhar um pouco mais e ter dinheiro para pagar um aluguel de um apartamento dividido com outras pessoas, mas com meu próprio quarto.

Com 20 anos tracei uma meta: chegar aos 30 em um cargo de liderança em uma grande empresa. Parecia desafiador, mas possível. Foram anos priorizando o trabalho e deixando muitas outras coisas de lado. Sempre lutei por uma promoção nova todo ano, escolhia bem minhas recolocações e apostei em startups que priorizam o meu perfil mais ágil, dinâmico, flexível e com foco em resultados. Com 30 cheguei onde queria. Era a mais jovem mulher no meu nível de liderança.

A iniciativa privada me ensinou muitas coisas. Ensinou que, sem metas claras, tudo pode virar uma completa bagunça. E também que não adianta cada time ter suas próprias metas. Precisa existir um alinhamento maior, uma meta compartilhada entre todos. Todo mundo tem que entender seu papel para alcançar esse objetivo.

Também me ensinou que uma vez estabelecidas as metas é preciso ter um plano de ação para alcançá-las. Não adianta apenas querer ou desejar muito. A execução, o acompanhamento, e a mensuração de resultados é essencial. É importante acompanhar e saber ser flexível para mudar o rumo caso as coisas não estejam trazendo o resultado esperado. Não adianta se apegar a uma ideia fracassada, é preciso alcançar o resultado almejado.

A iniciativa privada me ensinou um método, uma maneira prática e eficaz de traçar e alcançar objetivos. E é isso que eu quero levar para a iniciativa pública agora. Os meios, e não os fins. Porque na política nós temos que resolver os problemas sociais de uma cidade, e para isso precisamos saber traçar objetivos claros, executar, acompanhar, medir os resultados.

É claro que a política também tem suas particularidades, seus métodos de diálogo e argumentos, suas construções de pontes. Mas nada disso deveria ser um problema se elegermos pessoas focadas no mesmo objetivo. Construir uma cidade melhor.

É um desafio, eu sei. Na política ainda há pessoas cujo objetivo é puramente individual. Status, poder e reeleição. São anos e anos focados nisso. Mas cada nova eleição nos dá a possibilidade de mudar. Se queremos resultados diferentes, não adianta apostarmos na velha forma de fazer as coisas. Não adianta cada um ter uma meta, ou continuarmos apostando em ideias fracassadas. A política precisa ser reinventada, e a renovação não pode ser uma palavra usada apenas em novos
adereços de discursos. Precisa ser uma verdadeira prática de mudança.

*Fernanda Gomes é  fundadora do projeto Existe Ler em SP e do Movimento Participa e embaixadora do mandato da deputada estadual Marina Helou (Rede-SP)

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