O que a pandemia nos ensina

O que a pandemia nos ensina

Álvaro Moreira Domingues Júnior* 

06 de novembro de 2020 | 15h10

Álvaro Moreira Domingues Júnior. Foto: Divulgação

No mês de outubro, mais precisamente no dia 26, completamos o retorno dos estudantes da Educação Básica ao modelo híbrido – opcional. Acolhemos os que desejaram continuar os estudos presencialmente e mantivemos a aprendizagem remota estruturada para os demais que optaram por permanecer em casa.

O retorno planejado decorreu de conclusões de uma equipe multidisciplinar, constituída pelo Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe/DF) e membros especialistas em Educação, Saúde e Legislação entre outros, consolidando ações em favor de um funcionamento seguro da rede particular de escolas, devidamente registradas em vários documentos e, principalmente, no Guia de Retorno às aulas.

Entre as conclusões, trabalhamos com três aspectos básicos: distanciamento seguro, higiene regular e uso de máscaras. Confiamos  em que, se as escolas estão aptas e investidas da obrigação de ensinar e levar a aprender, seriam capazes de implementar rígido protocolo em favor de um ambiente seguro para toda a comunidade escolar.

Decorrido pouco mais de um mês, empreendemos uma avaliação do quadro de retorno e inferimos algumas conclusões evidenciadas em fatos e números constatáveis por todos que se interessarem, independentemente da complexidade do setor, que atende a aproximadamente 175 mil estudantes em 570 escolas credenciadas. Foi possível manter o contingente de alunos dentro do recomendado, adotando modelos variados de reconfiguração do espaço escolar.

Primeiro item desta avaliação – O distanciamento foi uma preocupação desde o mês de maio, quando realizamos uma significativa pesquisa junto aos pais / responsáveis. Verificou-se que o retorno presencial não seria mais que 30% do contingente escolar, além do cumprimento das recomendações de distanciamento de 1 metro entre estudantes.

O segundo item se referiu à higiene, assegurada pelas mudanças nos espaços escolares, com rotina rígida de limpeza, principalmente nas áreas consideradas como possíveis pontos de contaminação. Foram instalados equipamentos com sanitizantes e produtos de assepsia, como álcool em gel, hipoclorito etc. Todas as escolas visitadas estavam cumprindo as recomendações, inclusive com o uso permanente de máscaras.

Os espaços escolares estão à disposição dos pais e/ou responsáveis para conhecerem de perto as ações relatadas. Fazem parte do protocolo de profilaxia, adotado pelas instituições de ensino, a observação e o acompanhamento das pessoas que frequentam os espaços escolares.

Outros resultados positivos também foram verificados. Práticas simples, como aferição de temperatura, permitiram identificar pessoas com sintomas da COVID-19, encaminhá-las ao atendimento médico, afastá-las temporariamente do convívio, proporcionando o tempo suficiente para completa recuperação, reduzindo a propagação do vírus. As iniciativas de testagem de sorologia e confirmação por meio do PCR contribuíram da mesma forma, sempre indicando dados absolutamente dentro de margem de segurança. Da testagem realizada em professores da rede particular, constatou-se 0,5% de casos positivos. Ou seja, mesmo em pessoas que tenham convivido nos espaços escolares, as medidas de higiene, adotadas pelos protocolos, contiveram a disseminação da doença.

Reiteramos que as escolas, cientes de seu relevante papel e de sua importância social, conseguiram condutas responsáveis, comprovando se apropriar de um comportamento adequado ao considerado “novo normal”, mesmo nas faixas etárias iniciais – Educação Infantil e Ensino Fundamental anos iniciais. Afinal, entre os principais objetivos da escola estão a ensinar e trabalhar a incorporação de conhecimento aos hábitos dos estudantes

Ainda é cedo para avaliar os ganhos pedagógicos e cognitivos, visto as significativas mudanças das práticas de aulas, hoje intimamente dependentes da tecnologia, exigindo dos professores muito empenho na nova dinâmica. Entretanto, conseguiram, até agora, resultados melhores que se previam. No momento, soma-se à possibilidade presencial, ilustrando novo paradigma para a comunidade escolar, mais que resolver a situação imposta pela pandemia – surgimento de novo modelo com mais oportunidades de aprendizagem.

Como educadores, não podemos olvidar os princípios de nossa profissão – contribuir para crescimento e aprimoramento do ser humano, jamais negligenciar os objetivos de uma instituição educacional, reconhecendo seu inestimável valor e contribuindo para construção de uma sociedade mais justa e equânime.

Este histórico ficará nos anais do SINEPE-DF. Não nos orgulhamos de viver uma pandemia, mas de sairmos melhores, acreditando no nosso potencial, como gestores das instituições de ensino particular do Distrito Federal. O momento conturbado nos moveu para avanços que talvez demorariam cinco anos para alcançarmos. Por isso, saúdo as escolas, os estudantes, pais e/ou responsáveis e gestores por estarmos juntos, na certeza de que “vai passar”, e sairemos com experiências positivas, como as que foram destacadas hoje.

* Álvaro Moreira Domingues Júnior é o atual presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (SINEPE-DF).

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