O que a atual queda do Bitcoin revela sobre o mercado das criptomoedas

O que a atual queda do Bitcoin revela sobre o mercado das criptomoedas

Samuel Maurer*

30 Novembro 2018 | 04h00

Samuel Maurer. FOTO: DIVULGAÇÃO

O valor do Bitcoin caiu 82% desde o seu maior pico de alta, em dezembro do ano passado, e está abaixo dos US$ 4 mil dólares nos últimos dias. A queda assusta alguns observadores do mercado, que questionam a capacidade do Bitcoin de se manter estável e continuar atraente como forma de investimento. Mas será que essa desconfiança é cabível? A resposta é não, e há vários motivos para essa certeza: 1- O Bitcoin é uma moeda com estrutura consolidada. 2- Oscilações são comuns a qualquer moeda ou ativo do mercado financeiro. 3- Essa queda é semelhante a movimentos anteriores, que foram seguidos de rápida recuperação.

Para entender esse cenário, vale a pena considerar algumas questões sobre o mundo das criptos. Para começar, as retomadas na cotação do Bitcoin são muito mais comuns do que as das ações no mercado financeiro tradicional. Papéis de grandes empresas também estão sujeitos a quedas bruscas por fatores imprevisíveis, como escândalos de corrupção, fraudes, crimes, prejuízos financeiros ou o descumprimento de metas e objetivos. Lembremos da Petrobrás, da Friboi e das antigas empresas de Eike Batista, por exemplo. Nesses casos, as empresas podem levar anos para recuperar os patamares anteriores à crise. Já as criptomoedas apresentam fortes oscilações em curtos períodos, mas também se recuperam de maneira muito mais rápida.

Entre o fim de 2013 e o começo de 2015, o Bitcoin, ainda com valor abaixo de US$ 1 mil, tinha curva decrescente. Em janeiro de 2015, sofreu uma queda brusca de 44% que foi recuperada em apenas 14 dias. Após essa retomada, o valor da criptomoeda retomou o seu ritmo de crescimento gradualmente. Nessa época o Bitcoin ainda não era conhecido do grande público, o que veio a acontecer apenas em 2017, quando uma grande curva de crescimento o levou a quase US$ 20 mil. Antes desse boom ocorrido em dezembro passado, também houve uma queda de 30% em novembro que foi recuperada em apenas quatro dias.

O comportamento atual do Bitcoin mostra que, desde o início de 2017, quando a moeda valia cerca de US$ 600, o crescimento superou os 460%. No mercado financeiro tradicional, um período de menos de dois anos é considerado curto e um crescimento como esse seria motivo para grande celebração. Já no mundo das criptomoedas, os investidores buscam retornos cada vez mais rápidos e não têm a mesma paciência.

E calma vale ouro mesmo no mundo das cripto. Vender todos os criptoativos a cada nova queda é uma estratégia desesperada que traz apenas prejuízos. A queda na cotação é na verdade uma oportunidade de compra para diminuir o ticket médio das operações. Por exemplo, se um cliente comprou o Bitcoin a US$ 10 mil, o melhor a fazer é comprar novamente nesse momento. Com a cripto a US$ 4 mil, o ticket médio será de US$ 7 mil. Quando a moeda chegar ao patamar de US$ 7,5 mil, isso já representará lucro para o investidor.

Por que caiu e por que vai subir?

Um histórico de más notícias ao longo do ano e o chamado hard fork (divisão) do BBitcoin Cash entre duas novas moedas, o Bitcoin Cash ABC e o Bitcoin Cash SV, foram os responsáveis pela queda. Investidores desfizeram-se de uma pequena parte de suas reservas de Bitcoin para comprar e vender as novas criptomoedas.

A euforia com as novas moedas tende a se dissipar a médio prazo. Foi o que ocorreu no ano passado com o hard fork do Bitcoin, que deu origem ao Bitcoin Cash, visto então como a nova moeda do momento, capaz de ultrapassar o Bitcoin. Mas a primeira das criptomoedas, surgida em 2009, não tem o que temer: ela possui uma rede de blockchain confiável para a realização de transações, além de um planejamento concreto sobre sua produção.

Otimismo e sangue frio

As próximas semanas devem trazer estabilização para o Bitcoin, seguida de tendência de alta, movimento potencializado por algumas notícias positivas. Uma delas é o lançamento da corretora Bakkt, pela Bolsa de Nova York (NYSE), previsto para 24 de janeiro. O lançamento deve atrair mais compradores e estimular a Bolsa a adquirir Bitcoins para utilizar em negociações com os investidores, o que fará o preço subir.

Outro fato positivo é a aproximação do halving do Bitcoin em 2020, momento em que a “remuneração” em Bitcoins para os mineradores cai pela metade. Hoje, são produzidos diariamente 1800 Bitcoins e ao final desse período serão apenas 900. Isso acontece por conta da aproximação com o limite máximo de produção da cripto, que deve ser de 21 milhões. A cada redução na produção de Bitcoins, a tendência é haver uma valorização cada vez maior da moeda.

O fato é que o Bitcoin é digno de muita confiança e já conquistou seu espaço no mercado financeiro. As oscilações devem ser vistas como mais uma oportunidade de lucrar e de realizar investimentos. Mesmo com a velocidade desse mercado, é preciso olhar o cenário com calma e aproveitar as oportunidades para obter melhores rendimentos. Vale a regra comum a qualquer investimento: estudar, analisar o mercado e manter o sangue frio a cada oscilação.

*Samuel Maurer é analista do Grupo Bitcoin Banco, especializado em investimentos com criptomoedas

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